Sabe-se que a Rádio Cidade agora levanta a bandeira do "Rock de Verdade", num país em que "verdade" é um produto de marketing das mentirosas propagandas de TV ou então um artigo vendido livremente nas feiras de Acari.
Pois o apreço da Rádio Cidade e seus locutores, que falam como se fizessem teste para novos apresentadores do infantil Bom Dia & Cia. do SBT, com o rock se reflete no caso de bandas como o grupo britânico The Cure.
Com quase 40 anos de estrada - o grupo surgiu em 1976 depois que Robert Smith decidiu formar banda após assistir a uma apresentação dos Stranglers ("Istrêim o quê?", diz um produtor da Cidade) - , o grupo só é tocado pela "rádio rock" através de praticamente uma única música, "Boys Don't Cry", de 1979.
E isso numa programação que "melhorou bastante" nos últimos meses. Pois se os meninos resolverem chorar, do contrário do que diz o título da música, a Rádio Cidade só cede tocando mais uns três sucessos do grupo, na seguinte ordem: "The Love Cats", "Friday I'm Love", "In Between Days". Ou então a festiva "Close to Me".
Com muito mais choradeira, ou se houver a sorte da Rádio Cidade adotar mudanças em prol de alguns pontos a mais no Ibope, a emissora ainda vai tocar "Why Can't I Be You?". E pára por aí. Nem a melancólica "Charlotte Sometimes", nem a vibrante porém de título brutal "Fight In Cairo", nem a "alternativa demais" "Play Sort Today" e muito menos a sombria "The Hanging Garden".
O "roqueirinho" de comercial de rede de lanchonetes que é o público-alvo da Rádio Cidade terá que se contentar com as quatro músicas que a Rádio Cidade tende a tocar com pouca ou nenhuma pressão. É como se o The Cure, apesar de muitos anos de estrada e vários LPs, só tivesse lançado um compacto simples. Essa é a rádio do "Rock de Verdade".

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