Brasileiros adoram regras. Dá uma ilusão de organização e seriedade. Cultua regras onde tem e inventa regras onde não tem. Mesmo que as regras desorganizem ao invés do contrário, as pessoas ainda as mantém. Até porque para os brasileiros, ruim com regras, pior sem elas.
E não adianta pedir para eliminá-las ou ser liberado de obedecê-las. Regras existem para ser obedecidas. E isso inclui as regras sociais, que embora não estivessem escritas na Constituição Federal (considerada a nossa maior lei - e endeusada por autoridades), são cobradas e executadas como o mesmo rigor de qualquer lei constitucional.
Ai de alguém se recusar a obedecer as regras sociais. Será punido com a exclusão social. Quando muito receberá um apelido pejorativo ou será tolerado como um antipático. Ou sempre vai aparecer alguma pessoa que mesmo que goste do "desertor", vai enfatizar a recusa deste nas conversas. Se um cara, por exemplo, não curte futebol, isso se tornará uma marca a ser lembrada enfaticamente em boa parte das vezes que alguém se direcionar ao não-torcedor.
E as regras são realmente rígidas. Essa rigidez obriga pessoas a tomarem certas atitudes se estiverem dispostas a obter certos benefícios. Quer uma namorada? Vá para bares e boates. Não curte bares e boates? Fica sozinho, pois não há outro meio, além deste, de se arrumar uma namorada se não fizer parte do seleto grupo de amigos de uma determinada mulher.
Essa rigidez das regras sociais se deve pelo fato dos brasileiros priorizarem a vida social. A sociabilização é tão importante para brasileiros que muitos abem mão do prazer e ate mesmo da personalidade para tentar agradar aos outros e obter a aprovação social que vai favorecer o acesso a vários benefícios.
Todos sabem que sozinho, ninguém consegue nada. Empregos e namoro, por exemplo, são benefícios adquiridos em troca da aprovação de outras pessoas. E mudar isso soa uma imposição agressiva.
Agradar a maioria e/ou quem vai oferecer tal benefício é uma meta importante e até integrante do instinto de sobrevivência.por isso que muita gente abre mão de coisas importantes como o prazer e a personalidade pois o que interessa é obter o benefício necessário para a sobrevivência.
Por isso que as regras sociais são rígidas em um país em crise crônica como o Brasil, onde benefícios são distribuídos com desigualdade e o egoísmo é ainda muito forte. Agradar aos outros e obedecer regras impostas por eles é uma moeda valiosa para obter benefícios importantes. E os esquisitos que se recusarem a pagá-la que se virem para viver com dignidade.

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