Praticamente poucos sabem o que significa caridade. Na verdade "caridade" é sinônimo de altruísmo, ou seja, o desejo de ver a coletividade em total bem estar. Mas para muita gente não é assim. Preferem que a caridade seja aquela forma paliativa de consolar aquele que nunca consegue (e nunca vai conseguir) sair de sua condição lastimável. É a caridade paliativa estereotipada pelas religiões.
Há inclusive quem pense que já é uma forma de caridade ficar orando para a atmosfera que todos chamam de "Deus", mesmo sem mover uma palha para o bem estar alheio. Mas a maioria refere ficar dando objetos (em geral danificados) e alimento, entre cestas básicas que duram apenas um mês ou sopas aguadas de gosto horrível que não conseguem saciar a fome. E há quem se auto-canonize por estas atitudes paliativas.
Mas quem se propõe ajudar as pessoas de outra forma, mas com mais eficiência, propondo mudanças reais na sociedade ou dar dicar realmente solúveis de superação, é frequentemente criticado. Principalmente se essa forma eficiente de caridade ir contra aos interesses das classes dominantes, como é muito comum acontecer.
Alguns casos
Existem muitos casos, mas vamos nos ater a alguns por questão de espaço e por uma questão de momento, observando repercussões recentes que mostram a estranha e contraditória ojeriza aos verdadeiros altruístas.
O caso recente de Essenia O'Neill, blogueira australiana que denuncia a futilidade das redes sociais que existem na internet, por causa do péssimo nível intelectual (não confundir com escolaridade, há muitos diplomados que só vivem dizendo e fazendo besteiras) de seus membros. Infelizmente apareceu um bando de imbecis que não gostaram das criticas e devolveram-as acusando a blogueira de estar se promovendo com essa denúncia que ajudariam muita gente.
Outros casos de pessoas que fazem caridade não-estereotipada que são bem criticadas. A jovem atriz Amandla Stenberg que é ativista feminista e de anti-racismo, criticou uma celebridade fútil por estar fingindo negritude e escreveu um brilhante texto a respeito do respeito à cultura negra. Foi seriamente criticada, sobretudo pelos fãs da celebridade fútil. Fazer besteiras hoje em dia virou ato de "heroísmo" e não falta quem defenda e sustente futilidades. Felizmente, do outro lado, Amandla recebeu mensagens de apoio.
Paulo Freire, um dos maiores educadores que tivemos, falecido ha anos, foi o inventor de uma revolucionária proposta de educação que mudaria toda a sociedade brasileira se fosse aplicada. Só que seu método foi descartado pelo fato de Freire ser adepto do Socialismo. Ultimamente, este fato foi lembrado e muitos fascistas e capitalistas xingam ferozmente o educador por sua postura política, mas sem oferecer alternativas a seu método. Pelo jeito os capitalistas estão felizes com o péssimo sistema educacional voltado exclusivamente ao mercado de trabalho que existe atualmente.
As críticas anti-caridade eficiente sobraram até para o ex-militar britânico Edward "Bear" Grylls, que com seu aprendizado amplo (ele é formado e varias faculdades e te conhecimento vasto em várias áreas do conhecimento), ensina as pessoas a sobreviverem nas piores condições. Muita gente garante que conseguiu se salvar apenas com o conhecimento obtido ao assistir aos programas de TV em que ele apresenta (e que não há nenhuma encenação).
Pois é. Já escutei críticas a Grylls dizendo que ele só faz isso por dinheiro, como um mercenário, o que não é verdade. Ele pode até estar ganhando para fazer os programas, mas com o conhecimento vasto que ele tem (aspecto valorizado pelo mercado de trabalho), ele poderia arrumar empregos muito melhores e com vasto salário. O que sinaliza que ele faz sim, por caridade. Grylls sempre recebe agradecimentos pelas informações que divulga, como um verdadeiro educador.
Caridade boa é a que não elimina os problemas
É curiosamente triste ver pessoas empenhadas em melhorar o mundo de forma eficiente, eliminando problemas serem assim tao criticadas enquanto quem faz caridade paliativa, que não resolve nada e precisa ser constantemente reciclada, é canonizada e elogiada por algo feito sem a verdadeira intenção de resolução definitiva, sempre permitindo o risco do problema retornar.
Para quem não utiliza a razão de forma adequada, caridade boa é aquela que conforta provisoriamente, sem mudar o sistema, sem ameaçar as relações de poder e que possa ser praticada preferencialmente por religiosos, que não deveriam estar fazendo caridade, por defender ideias totalmente incoerentes com a realidade do mundo.

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