Estamos vivendo a era da mediocridade, onde tudo piora, seja para cortar custos financeiros, seja para evitar o esforço intelectual. Tudo piora a olhos vistos e estamos perdendo a noção do que significa "coisas de qualidade", aceitando essas ruindades que se apresentam diante de nossos olhos como exemplos de "coisa boa".
E estamos perdendo o senso do ridículo. Se algo ridículo te aceitação maciça da população ou é defendida por algum figurão com poder de influência, deixa de ser ridículo, ganhando status de "melhoria" após intensas campanhas de publicidade (Né? Goebbels!)
Muitas celebridades que eram sérias deram de defender essa palhaçada chamada "funk", uma tolice que usa o nome de outro gênero musical bem diferente e que se caracteriza pelos arranjos malfeitos, letras idiotas e dancinhas ridículas e que quer se impor na marra, enfiando goela abaixo mesmo, como sendo a "maior novidade na cultura brasileira", como se tivesse algo a dizer. Nos bastidores sabemos que muita grana rola e muita gente boa tem recebido fortunas para elogiar esta descartável tosqueira pseudo-cultural.
O mais recente membro do clubinho dos iludidos pró-"funk" é o rapper brasileiro Mano Brown, dos Racionais MC's. O rap brasileiro é melhor que o rap americano feito nos últimos anos (gangsta rap é bem ridículo. Parece o "funk" de lá) e os Racionais era o grupo mais popular do gênero, geralmente lançando mão de letras politizadas.
Mas Brown, seja por ter levado uma pancada na cabeça ou uma bolada de dinheiro no bolso, deu uma declaração infeliz que elogiou o "funk" brasileiro, definindo-o como "revolução". Revolução de quê, caro Brown? Revolução sugere progresso intenso e o que se vê no "funk" é um baita retrocesso que nos devolve aos mais primórdios tempos dos trogloditas. Além de estarmos desaprendendo a sermos humanos, estamos desaprendendo a fazer cultura.
Prefiro não levar a sério a opinião de Mano Brown e aceitar como uma opinião pessoal dele e não como um diagnóstico. O que é uma pena, conhecendo a ótima trajetória de Brown e de seus Racionais. Cabe aceitar o fato de que Mano Brown surtou de vez, assim como muitos outros que encanaram de defender algo claramente tão ruim. Embora reconheçamos que a declaração dada irá facilitar a inclusão dos Racionais Mc's no mercado competitivo de festivais musicais pelo país.
Sabe-se que o que é ridículo e sem consistência vai desaparecer com o tempo. E que os defensores do "funk" saibam que esfregar a bunda na cara dos outros não tem a capacidade de melhorar a sociedade. Esse tipo de revolução não passa de involução.

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