O jornal O Dia se comportou feito um jornaleco de cidade do interior, dessas que são controladas por grandes fazendeiros.
Reagindo a uma série de reportagens do Jornal da Record, o periódico carioca, que se inclina a apoiar o grupo político de Eduardo Paes, se indignou quando a série, intitulada "O Rio de Janeiro na Lama", revela que os políticos cariocas estão deixando o Rio de Janeiro falido e se enriquecem às custas do sofrimento do povo e dos interesses combinados com empreiteiros.
Uma das reportagens da série mostra que moradores de uma área de Jacarepaguá foram expulsos, mediante baixa indenização (insuficiente para obter o aluguel de uma casa), de suas residências, para a construção de um complexo olímpico pela empreiteira favorecida.
Graças a interesses de empreiteiros, até áreas ambientais e bens do patrimônio histórico estão sendo destruídos para obras olímpicas ou corredores de BRT, cujo trabalho das empreiteiras resultará em lucros exorbitantes e vantagens político-econômicas das mais elevadas.
A série de reportagens denuncia gente querida dos editores e donos de O Dia, como a família Picciani - o presidente da ALERJ, Jorge Picciani, e seus filhos Leonardo Picciani, deputado federal, e Rafael Picciani, secretário de Transportes da prefeitura carioca - , Carlos Roberto Osório e os próprios Eduardo Paes, prefeito carioca, e Luiz Fernando Pezão, governador fluminense. O grupo político estabelece parcerias com empreiteiras denunciadas pela Operação Lava-Jato.
Daí que O Dia, com a rabugice de um jornaleco de latifúndio, acusa as reportagens de serem "propaganda" do "bispo" Marcelo Crivella, um dos braços-direitos de Edir Macedo na Rede Record. Só que um detalhe o jornaleco carioca não percebeu.
Os jornalistas da Record que realizam a reportagem são sérios, e através deles vieram muitas e muitas denúncias envolvendo o império midiático da Rede Globo, a corrupção dos políticos do PSDB e a roubalheira dos dirigentes esportivos brasileiros, denúncias comprovadas pela Justiça, como a sonegação fiscal da Globo, as "empresas fantasmas" de Ricardo Teixeira e as contas em "paraísos fiscais" de Fernando Henrique Cardoso, José Serra e seus amigos e parentes.
Estes jornalistas até são funcionários de Edir Macedo, mas até este sabe que os profissionais têm que manter sua autonomia profissional, e por isso o trabalho destes é respeitado e, neste sentido, mostra um trabalho investigativo consistente e arrojado.
Mas muitos cariocas "formadores de opinião", acomodados nas elites que predominam nas mídias sociais, preferem o "sonho" da fantasia de O Dia, com suas matérias elogiosas a Eduardo Paes e companhia ou, quando muito, a "denúncias" mais amenas, do que encarar o pesadelo da realidade mostrada pelo Jornal da Record, mas que também ocorre fora da mídia, no cotidiano das pessoas.

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