Ontem aconteceu o concurso de Miss Universo, na verdade um concurso de beleza com base em critérios subjetivos para alavancar a carreira de prováveis aspirantes a modelos. Beleza é algo que cada um enxerga de sua forma e é meio complicado definir a vencedora do concurso como "a mais linda do mundo" mesmo em uma fase em que são permitidas alterações plásticas para participar do concurso.
O concurso Miss Universo e uma daquelas instituições valorizadas pelos conservadores. Nos últimos anos anda em franca decadência por vários motivos. Mas ontem teve o apogeu de seu afundamento, após ter ocorridos pequenos escândalos nas edições locais que elegeram as participantes desse concurso.
Um apresentador não muito famoso no Brasil, Steve Harvey, se confundiu ao anunciar a vencedora do concurso, embolando a segunda e a primeira colocadas. Anunciou a insossa representante da Colômbia (visivelmente plastificada) como vencedora.
Mas longe das câmeras, enquanto os holofotes filmavam a comemoração da suposta vencedora, Harvey foi avisado do engano e cabisbaixo voltou ara o palco para corrigir o erro, visivelmente constrangido, arrependido e se desculpando o tempo todo. A vencedora na verdade foi a Miss Filipinas, realmente muito mais bonita que a colombiana e de beleza mais natural.
Mas ficou impossível não admitir a decadência desse tipo de concurso que, ao meu ver, na precisava existir. O título é uma ilusão e dependendo de quem vê, qualquer mulher pode ser "a mais linda do mundo". Há musas famosas cuja beleza eu admiro e que não são tão admiradas popularmente. E há o contrário, musas elogiadíssimas que eu considero insossas, sem graça mesmo.
A decadência é epidêmica e em todos os setores sociais
Mas a decadência não é apenas desse tipo de concurso. A mediocrização de tudo está generalizada. Tudo está perdendo em qualidade. Autoridades tomam decisões da mesma forma que estudantes do primário realizam seus trabalhos. Péssimos profissionais entram no mercado de trabalho e conquistam títulos elevados só porque satisfizeram os interesses vagos de seus superiores. Vários tipos de produtos já demonstram evidente queda de qualidade e pouca durabilidade. Oficinas de consertos nunca trabalharam tanto quanto nas últimas décadas.
Até mesmo os seres humanos tem perdido em qualidade. Vivemos numa sociedade que é um misto de zumbis com espantalhos, ao mesmo tempo burros e egoístas. O sadismo voltou em moda com ressurgimento do fascismo e de ideologias similares. As religiões que eram para ter sumido há tempos, continuam fortes com a sua incompetência para melhorar as pessoas. A inteligência é vista como coisa chata a ser utilizada apenas no estudo e no trabalho, direcionada apenas para servir de fonte de aquisição de dinheiro. O amor virou uma palavra vaga muito pronunciada e quase nada praticada. Pessoas preferem seguir umas as outras em redes sociais do que serem amigas de fato.
Como vemos, o mundo está em franca decadência. Vivemos numa espécie de Idade Média moderna, mas com tudo que os medievais tinham em seu tempo, só que agora digitalizado em versão remix, remasterizada, dentro de um aparelho celular.
O que aconteceu no Miss Universo de ontem foi na verdade mais um grão de areia nessa praia imensa de erros que se tornou a humanidade desde os anos 90, quando decidiram impor a decadência cultural para imobilizar uma humanidade que possivelmente se rebelaria caso usasse a internet de modo mais sábio. Erros como esse acontecem todos os dias em quase todas as instituições e repartições. E não dão sinais de que vão parar de acontecer.
É preciso reeducar as pessoas do zero para que esta mediocridade não nos devolva a primitiva Idade da Pedra, para onde vamos se não abandonarmos nossos instintos e nossos supérfluos.

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