Hoje estou de luto. Levei um choque com a notícia. David Bowie havia falecido. Conhecendo a figura, pensei que era pegadinha. Não era. Bowie, o Homem das Estrelas, rumou ate a Estrela Negra e foi embora. Talvez chateado com a mediocrização do planeta, foi procurar um lugar melhor para viver.
Bowie sempre foi para mim sinônimo de criatividade e modernidade. Entusiasta da tecnologia e das redes sociais, falava com os jovens como nenhum veterano conseguia falar. Mutante constante, ele não conseguia fazer trabalhos iguais as outros e seus discos eram únicos, um com sonoridade totalmente diversa do outro. Sua obsessão em experimentar sempre lhe rendeu o apelido de Camaleão. Mas parecia ser Ovelha Negra, pois a intenção mesmo era de ser diferente de tudo e de todos, inclusive diferente dele mesmo.
E pelo jeito, Bowie sabia que iria morrer. Passou 2015 quase todo cuidando da saúde, longe dos holofotes. O título do álbum recém lançado, Blackstar e o clipe da música de trabalho cheia de referências a morte, Lazarus, servem como uma boa despedida, do tipo "amigos, estou indo embora e esse é o recado que deixo a vocês". No clipe, Bowie aparece deitado na cama de um hospital (como esteve em 2015), com olhos vendados, dando a entender estar no "seu fim". Uma morte estranha que ninguém sabia, pois Bowie, retomando a carreira, parecia retomar a vida.
E hoje levei um choque tremendo. O grande gênio que nunca quis ser igual aos outros, nem a ele mesmo, dava seu último suspiro. Deixa o mundo justamente quando precisamos de mais pessoas como ele, criativas, visionárias e verdadeiramente rebeldes (e com causa).
Resta agradecer a David Bowie por tudo que ele fez pela cultura mundial. Cabe a nós sermos transformadores como ele, fazendo desenvolver o mimetismo cultural que impulsiona mudanças reais, não essa porcaria de "pop popular" que polui os nossos ouvidos hoje. É vasta a quantidade de bons exemplos que o cantor e o ser humano David Bowie deixa para nós.
Valeu, Bowie. Agora você, Homem das Estrelas, se torna uma Estrela Negra e como Lazarus, morre como homem e ressuscita como mestre cultural. Pois grandes homens morrem, mas as suas grandes lições permanecem na vida eterna.

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