Sou obrigado a reconhecer que a minha experiência nas redes sociais, iniciada em 2005, me trouxe mais aborrecimento que alegrias. Através das redes sociais eu descobri que a sociedade não está no mínimo interessada em se evoluir, preferindo em seu tempo livre ficar alimentando ilusões, seja se divertindo com futilidades, seja defendendo ideias equivocadas que deveriam ter sumido há muitas décadas atrás e seguem fortes em pleno século XXI. Evoluem as máquinas para os seres humanos ficarem na mesma de 100 anos atrás.
Chega a dar nojo toda a vez que entro no Facebook. Sempre há alguém lançando seu culto à imbecilização retrógrada. Pode ser música brega, ícones religiosos, ofensas a socialistas, apologia a drogas lícitas ou não, ridículas poses semi-eróticas em fotos, ou seja, todo tipo de barbaridade, mas barbaridade de qualquer jeito. Não vou dizer quais, mas cerca de 75% dos meus "amigos" do Facebook já postaram pelo menos uma vez a sua ode a imbecilização.
E nesta época de copa, a imbecilização encontrará o seu auge, já que ninguém quer ficar fora da hipnose coletiva comandada por Galvão Bueno e seu pupilo, o Neymar (keting), o primeiro jogador de proveta na história do futebol brasileiro, mas excessivamente bajulado como os ídolos de antes. Se já é um horror sem futebol, imagine com. Nada contra o esporte em si, mas sim contra a forma como ele é tratado. Estamos carecas de saber que no Brasil, futebol é pretexto para muita babaquice, digna do pior retardado (com respeito aos retardados, não aos torcedores).
Mas se vê de tudo nas redes sociais, se morre um intelectual, ele é solenemente ignorado, mas se morre um entertainer (famoso não-intelectual que trabalha apenas para divertir ou emocionar os outros), ele é bajulado até os confins da canonização. Até mesmo qualidades são inventadas para os falecidos na tentativa de exagerar sua importância (Michael Jackson, roqueiro? Hã?; Chico Xavier, espírito superior? Como é que é?; Roberto Marinho, comunista? Ora, tenha dó...). Só falta dizer que algum bandido morto em algum tiroteio era uma pessoa puramente bondosa. Cada louco que aparece nas redes sociais!
O que deveria ser uma excelente oportunidade de debate para tentar mudar as mentes das pessoas na verdade se transformou num desfile carnavalesco de defesa das próprias convicções, como se a opinião de cada um, mesmo equivocada, fosse um patrimônio a ser zelado. Não há quem esteja disposto a mudar a sua ideia (nem tente mudar a mente de alguém - internautas brasileiros mordem) e muitos preferem ser mortos do que mudar de opinião. Um horror.
Sinceramente, as redes sociais me dão nojo. Toda vez que entro no Facebook sempre tenho que aguentar alguma tolice. Mesmo os que não são tolos em um assunto, passam a ser em outro assunto. Ou seja, todo mundo quer defender sua tolice, mesmo que não concorde com todas as tolices do mundo. Na minha coragem em combater todas as tolices, sou um guerreiro solitário.
É... tenho que aguentar tudo. Não vou me livrar das redes sociais pois há momentos que elas são necessárias. Mas que o desânimo no uso das redes é inevitável, isso é. Lástima.

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