Anos atrás, que foi postado no feed de notícias do Facebook de um de nossos membros foi um horror. Por causa de uma foto tirada na Parada Gay, religiosos e ateus praticamente saíram na porrada verbal, cada um defendendo sua opinião particular como se fosse um patrimônio a ser preservado.
Mas não e só nesse assunto. Tem sido assim nos últimos dois anos em qualquer tipo de conversa, sobretudo quando assunto é política, religião ou entretenimento.
Muitos tentam responsabilizar a internet, outros tentam responsabilizar o cenário político atual. Mas eu dou meu diagnóstico: estamos cada vez menos racionais. Pensamos menos e acreditamos mais. Aprendemos a ser ignorantes porque exige menos esforço e preserva nossos interesses, vários deles supérfluos.
Ao invés de analisarmos as questões, tentando entender se o ponto de vista a nos ser jogado na cara está certo ou não, já julgamos de antemão a sua inviabilidade, pelo simples fato de não ser a "nossa" opinião.
Muitas pessoas acabam transformando suas opiniões em patrimônio. Crescem acreditando em certas ideias e se beneficiam com elas. Este beneficio - geralmente falso, típicos de zonas de conforto - os faz transformar essas opiniões em patrimônios e quando aparece alguém para invalidá-las, os donos das opiniões as agarram com firmeza, bradando feito leões famintos se recusando em abrir mão delas.
É esta a origem de muitas brigas, em que as pessoas preferem defender as opiniões, gostos, ideias e costumes que lhes dão conforto e alegria do que analisá-las para ver se estão corretas ou não. É a raiz não somente dessas discussões mas de muitos problemas que existem na sociedade. A teimosia em defender absurdos tem sido muito útil para manter privilégios de lideranças e preservar injustiças, além de criar um monte de preconceitos.
E usar a lógica, o raciocínio, parece desagradável para a maioria dos brasileiros, já pouco afeita a intelectualidade e que considera a credulidade, ou melhor, a confiança (que eles chamam de"fé") como sua maior qualidade. Raciocinar, além de exigir esforço, exige abnegação (a saída das zonas de conforto). Para muitos não parece bom se livrar de valores e prazeres aprendidos como sendo "benéficos" durante muitos e muitos anos. Daí que muitos preferem continuar como estão, defendendo o que acreditam.
Não sabemos em que tempo isso vai parar, mas sabemos como: quando as pessoas aprenderem a raciocinar e considerarem a possibilidade de largar alguns pontos de vista que defendem, como crianças a largarem suas chupetas quando chegam a uma determinada idade. E crianças bem birrentas!
Que sabe a origem dessas brigas todas está na teimosia de querer "usar chupetas" por muito mais tempo?

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