Uma polêmica acontecida antos atrás no Facebook me fez refletir um pouco. Eu havia postado em meu feed de notícias um meme criticando aqueles pais que estimulam seus filhos a gostarem de futebol, com direito a camisetinhas de time e etc..
Um amigo que não curte futebol resolveu compartilhar e os contatos dele começaram a criar polêmica, pois não queriam admitir que o fato de uma criança ser, digamos "influenciada" a gostar de futebol fosse tratado como compulsório.
Um amigo que não curte futebol resolveu compartilhar e os contatos dele começaram a criar polêmica, pois não queriam admitir que o fato de uma criança ser, digamos "influenciada" a gostar de futebol fosse tratado como compulsório.
Os caras argumentaram que as pessoas hoje não estão mais obrigadas a nada e a adesão, segundo eles, é espontânea e livre. Meu amigo, que compartilha de meu ponto de vista, tentou explicar que não é assim, que o povo brasileiro é realmente submisso, que só faz e pensa de acordo com a maioria, com as convenções sociais, mas não teve jeito.
Na verdade muita gente, no Brasil, não sabe que está sendo manipulada. As formas de domínio estão cada vez mais sutis e pacíficas. Muitas regras sociais e muitos hábitos se consagram no cotidiano das pessoas que elas não percebem que são na verdade ideias impostas pelas elites que controlam as vidas das pessoas para que as injustiças que garantem os privilégios dessa elite permaneçam eternas. Uma ideia, por estar arraigada em nosso cotidiano, ganha o estigma de naturalidade, como se fizesse parte de nossas vidas, não podendo ser contestada.
Os brasileiros obedecem o sistema quase sem perceber, pois os meios de comunicação, legisladores das regras sociais, sabem como manipular sem que a sua "presa" perceba que está sendo manipulada. E por este motivo que a polêmica aconteceu, já que os responsáveis pela polêmica não conseguiram imaginar uma pessoa sendo ideologicamente manipulada em uma - suposta - democracia.
Trocando em miúdos: em sua grande maioria, os brasileiros são submissos à mídia, a líderes e às regras sociais. Embora não assumam, sabem que seguir determinadas regras e costumes facilita muito a conquista de certos benefícios que somente o contato social pode oferecer, incluindo necessidades básicas como emprego e afeto. Agir com personalidade para eles, é se isolar e recusar esses benefícios, assumindo a dificuldade de conquistar empregos e vida afetiva com um esforço mil vezes maior do que o encarado pelos que se dispõem a seguir as normas.
Por isso que no Brasil, quase todos tem os mesmos gostos, as mesmas ideias, os mesmos hábitos e cultuam os mesmo ídolos e líderes. Sabem muito bem que seguir a maioria é a maior prova de simpatia entendida por esta maioria dos brasileiros, muito mais interessados em agradar aos outros do que formar uma personalidade.

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