Depois do Rio de Janeiro ressuscitar os zumbis que pediram intervenção militar para impedir que pobres alcancem qualidade de vida e ameacem a "exclusividade" da prosperidade da classe média alienada, agora é a vez do Rio de Janeiro ressuscitar a trilha sonora desta classe com muitas posses e nenhuma sensatez. Trilha sonora que ACM inventou na Bahia para impedir a conscientização dos baianos: a abominável Axé-music.
Com a popularidade cada vez mais em baixa na Bahia, graças a seu ritmo tosco, suas letras sem pé nem cabeça e suas dancinhas ridículas, a Axé-music (rótulo que nasceu pejorativo, mas foi ingenuamente abraçado pelos seus defensores) encontrou no Sul/Sudeste, ainda mais no Rio de Janeiro das milícias, a oportunidade de recuperar o seu fôlego e se impor como alienador oficial das massas que desejam fugir da realidade que elas recusam a melhorar.
Se prestarmos bem a atenção, o principal público da abestalhada Axé-music sempre foram os bem vividos das regiões Sul e Sudeste, criados a base de whisky na mamadeira e sem preocupações realistas, lindos de aparência e com futuro mais lindo ainda. Todos com condições financeiras para torrar dinheiro com abadás caríssimos e as drogas consumidas dentro, já que não dá para aguentar aquelas canções imbecis e danças ainda mais idiotas com a cara limpa e a mente tranquila.
É claro que os magnatas que controlam a Axé-music - pensam que é essa pasmaceira é "a expressão legítima da cultura de um povo"? - , desesperados pela queda de popularidade do gênero, fonte de enriquecimento financeiro para a elite baiana, gananciosa e extremamente racista, decidiram arrumar um jeito de salvar sua galinha dos ovos de ouro. Aí veio a ideia de usar o Rio de Janeiro para ressuscitar a zumbizada axezeira.
Os empresários da Axé-music perceberam que poderiam lançar o gênero no Rio de Janeiro pós-Golpe como uma novidade. Cariocas andam bem alienados ultimamente, muito mais do que sempre foram. Cariocas, que entendem muito bem de monocultura - só se fala, come, transa e até vomita futebol - se tornaram o público perfeito a ser enganado pela máfia axezeira.
Isso explica porque tenho ouvido muito Axé-music nas ruas de Niterói e da capital do RJ, que deve disputar a hegemonia com os igualmente abomináveis "funk" e "sertanejo", gêneros que tem destruído muitos ouvidos dos cidadãos comuns e engordado as contas bancárias de quem usar estes ritmos para ganhar - muito - dinheiro às custas de mentes alienadas e mal-informadas.
Com isso, o ritmo de ajudou a imobilizar os baianos, povo com vocação para a vanguarda. Na época da ditadura, este povo poderia ameaçar a "tranquilidade nacional". O "coronel" ACM resolveu tomar uma atitude para que a o povo baiano não se conscientizasse e fundou a Axé-music para que depois que a ditadura acabasse, os baianos ficassem anestesiados, correndo atrás de um caminhão grande sem saber exatamente o que estariam fazendo.
Mas os baianos dão sinais de que recuperaram a consciência e a Bahia começa a se desenvolver de forma surpreendente. Não cabia mais como palco para a alienada e alienante Axé-music. Os axezeiros tiveram que procurar outros otários a enganar.
Nada como o Rio de Janeiro, terra de fanáticos por futebol que se dividem em bolsonaristas raivosos e uma esquerda mais do que cirandeira (liderada pelo inerte e delirante PSOL) para que esta hipnose musical possa começar novamente.

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