O ser humano é um ser social. Nasceu para viver em grupo, rodeado de muitas pessoas. Para viver em sociedade, cada ser humano se dispõe a seguir as regras impostas por cada grupo social. Isso implica na desistência da vontade e até mesmo do prazer.
Sabendo que vários dos direitos básicos são adquiridos graças a vontade alheia, satisfazer o prazer acaba sendo menos necessário que a obediência as regras, o que obriga as pessoas a terem os mesmos gostos e opiniões da maioria, como moeda em troca de respeito e cooperação.
Isso inclui a vida afetiva, já que entre essas regras, está o adesão a uma série de rituais a serem rigorosamente cumpridos na vida adulta: se formar, arrumar emprego, casar, ter filhos, torcer para futebol, ir a bares, ter uma religião, etc. O cumprimento desse roteiro de rituais é essencial para obter respeito e o favorecimento que garantirá a ajuda alheia necessária para se obter o que nos mantém vivos e sadios.
Casamento como obrigação social
Vamos nos ater ao casamento, pois é o foco desta postagem. Para entendê-la é preciso lembrar que estamos em uma espécie de isolamento por causa de uma nova doença a COVID-19, causada por um coronavírus de que o ser humano ainda não possui anti-corpos. O isolamento nos obriga a ficar 24 horas por dia do lado de pessoas que, apesar de morarem com a gente, pensam e agem de forma diversa, o que levar a um risco de discórdia e consequentemente, de brigas.
Além disso, outra coisa a nos lembrar, o ritual imposto pela vida adulta nos obriga a casar com alguém. O ser humano não é monogâmico e por isso, o casamento é um sacrifício feito em troca de favores sociais que garantirão a nossa sobrevivência.
E sem esse papo infantiloide de que todos se casam com suas "almas gêmeas" por que isso é uma tolice. Casa-se geralmente com o primeiro que aparece e satisfaz alguns anseios. Sempre obedecendo as regras impostas pela sociedade que é extremamente burocrática, sem assumir isso, nos assuntos envolvendo vida afetiva e conjugal.
Normalmente uma pessoa se casa com alguém que faz parte do meio social em que se está incluído, pois as mulheres, entusiastas da presunção de culpabilidade (o homem deve provar que não é uma ameaça à mulher que ele quer conquistar), odeiam se envolver com desconhecidos.
Isso faz com que seja quase inevitável o casamento entre pessoas não afins, já que em um grupo social fechado e com número limitado de pessoas (já que as mulheres odeiam desconhecidos), as chances de encontrar a "alma gêmea" se reduz drasticamente. Mas a sociedade quer que todo adulto se case. Então, "se não tem tu, vai com tu mermo".
Por isso que muitos casamento de fachada, sem amor e afinidade (estas duas condições, e sempre juntas, não podem faltar uma delas, para o sucesso de um relacionamento conjugal) são formados, obrigando duas pessoas que apenas se suportam a viver 24 horas em baixo de um teto.
Pelo menos a vida profissional tem dado uma espécie de folga para que cônjuges deixem de se ver por um longo tempo na tentativa de usar o afastamento como uma forma de reacender a falsa chama da paixão e tentar inutilmente transformar o casamento de fachada em uma estória de amor daquelas que vemos em filmes e novelas.
Se casar para agradar a sociedade
Mas o confinamento imposto pelo coronavírus acabou com este afastamento. Agora os casamentos estão sendo colocados à prova: será que eu amo mesmo aquela pessoa que eu escolhi para casar, já que agora eu tenho a oportunidade de ficar sempre com ela e somente com ela, me distanciando de amigos e colegas de trabalho?
O resultado disto é o aumento de divórcios que começa a acontecer no mundo, já que muita gente acabou descobrindo que se casou com a pessoa errada. Pois ao optar pelo matrimônio, estava mais preocupada a agradar a sociedade ao redor do que a ouvir as vozes de seu coração e de sua mente.
O período que estamos vivendo está servindo para destruir a hipocrisia não apenas de empresário gananciosos, mas de falsos românticos, que agora terão que ficar 24 horas aprisionado a monogamia contradizente com a natureza humana e que nos foi imposta pelas regras sociais.
Estamos em tempos difíceis. Mas pelo menos se aproxima o tempo em que não vai mais dar certo enganar os outros. A hipocrisia tão presente na humanidade há séculos terá que sumir. E nada com um vírus, invisível ao ser humano, para nos estimular a não sermos hipócritas.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.