Parecia que eu estava adivinhando. Quando foi anunciada a quarentena, eu comentei para meu pai e meu irmão, as únicas pessoas que estão comigo neste isolamento, que haveriam casos de suicídio, pois o ser humano, mais ainda o brasileiro, não suportaria viver sem vida social.
Acredito que muita gente não concordaria comigo e acharia que o brasileiro é forte, aguenta sofrimento e iria sair dessa da melhor maneira. Mas não é que o primeiro caso de suicídio por não suportar o isolamento apareceu? E logo no Brasil?
Tivemos a notícia da morte de um talentoso roteirista e produtor da TV Globo e Globo News, Bruno Lima Penido. Era um dos responsáveis pelo roteiro das últimas temporadas de malhação. Ele não aguentou o isolamento e decidiu se jogar da janela de seu apartamento na manhã de ontem. Tinha aparência de galã e apenas 41 anos de idade.
O caso pode parecer isolado, mas é digno de muita reflexão. Eu mesmo tenho andado triste nestes últimos dias. Nem a doença me preocupa muito pois há anos sempre tive o cuidado de higiene recomendado ultimamente, iniciado quando nem imaginava este novo surto pandêmico. O que me preocupa é a minha vida profissional e a vida social e o que acontecerá quando a quarentena acabar.
O caso de Bruno Penido mostra que as pessoas que estão neste isolamento devem fazer uma reflexão profunda sobre si mesmas, caso não tenham condições de ter um acompanhamento profissional psicológico. Brasileiros gostam de estar em grupos e isso é caracterizado pelo costume de imitar os gostos e convicções das maiorias.
Assim, brasileiros prometem sofrer mais que outros povos, sobretudo os escandinavos, acostumados com a solidão imposta pelo isolamento climático, já que ninguém sai as ruas quando se vive em frio extremo. Mesmo assim, em países com frio extremo, a sociabilização é estimulada através de clubes em lugares fechados, com clima mais ameno. Mas não é a mesma coisa que ir a uma praia, o que justifica o fato de que em países de clima quente, a população tende a ser mais alegre.
Para mim, o isolamento está sendo suportado com relativa tranquilidade. Isso se deve por eu ter uma vida mais caseira. Mesmo assim, gosto de vida social, de sair de vez em quando para ver as novidades. Além da sociabilização, a busca poor novidades faz parte do instinto humano. Isso significa que por mais tranquilo que seja, o isolamento me incomoda. Não minto: cheguei a pensar em me matar neste período.
Tudo tem sido feito para driblar o sentimento de solidão. As redes sociais só mostraram a sua razão de ser agora. Pois até então, as redes sociais tem sido palco de polêmicas e de discórdia, além de meios de difusão de mentiras e teorias que só servem para agradar certas classes sociais.
Nesta quarentena, as redes sociais tem sido um meio de união entre as pessoas que estão sendo obrigadas a se isolar para não se contaminar pelo coronavírus, que causa uma doença fatal por asfixia. Celebridades e pessoas comuns se esforçam para transmitir amor e alegria para quem vive isolado. Eu mesmo passei a usar bastante o Instagram, que estava meio adormecido.
De qualquer forma, o isolamento nos faz pensar muito sobre o que acontecerá com a humanidade a partir de então. A única certeza é a de que a humanidade não será mais a mesma. Se será melhor ou pior, só o tempo dirá. Mas o suicídio de Bruno serve de alerta. Humanos não foram feitos para a solidão.
Tomemos cuidado, pois o mal do século, a solidão, tem o poder de contaminação muito maior que qualquer vírus e o caso de Bruno Penido mostra que é tão fatal quanto.

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