Antes de tudo quero dizer que a violência contra a mulher me irrita. Não é preciso ser mulher para entender que uma situação como esta representa um pesadelo pavoroso para as suas vítimas. Quem tem compaixão, inteligência e um pouco de senso crítico é capaz de entender esta situação. Vítimas de bullying também compreendem a situação, que não é muito diferente.
A violência doméstica, infelizmente tem crescido junto com ideais fascistas e não considero isso uma coincidência. Vivemos em uma onda de ódio estimulada pela ganância capitalista, que transforma a luta pela sobrevivência em uma competição sanguinária em que todos lutam pelos poucos benefícios distribuídos à população, enquanto a prosperidade plena é reservada a um punhado de magnatas.
Esta onda de ódio tirou da Caixa de Pandora um festival de disputas e de preconceitos. que fazem pessoas no mundo inteiro brigarem entre si. Contrariando previsões de religiosos e místicos, a humanidade dá seus sinais de piora, o que mostra que precisamos de muito mais tempo para evoluirmos.
O tempo que se iniciou com o primeiro homem e hoje é insuficiente para um aprendizado correto sobre nós mesmos e o mundo que nos rodeia. Ainda continuamos muito infantis (vejam a forma como nos divertimos, de forma alienada e irresponsável) e não sabemos como nos relacionar com os outros, ainda querendo ser mais e ter mais que outras pessoas. Falamos mal da corrupção, mas nuca recusamos a oportunidade de nos darmos bem através da trapaça.
Lavar a "honra" com sangue
Neste cenário de ódio ressurge o machismo com toda a sua força. Homens ainda são educados para serem fortes e destemidos e mesmo educados por mulheres, não se sabe como, desenvolvem um ódio contra o sexo oposto, convertido em um misto de troféu (de masculinidade? Ora, que ridículo!) e brinquedo sexual. Um item a mais no patrimônio masculino.
Quando a mulher falha em algum aspecto, o homem, que se acha dono dela, parte para a ignorância e seguindo um estranho dogma machista, agride a mulher sem ter medo de assassiná-la. Pois na mente irracional do machista, se deve "lavar a honra com sangue", mesmo que depois o homem seja punido, morto ou se mate. Na cabecinha oca do "machão", salvar a "honra" é prioridade máxima.
Mas que honra idiota é essa que se tem que matar uma mulher? Se nem por motivo justo se deve agredir alguém, pois não há nada que não seja possível de resolver com um diálogo, imagine por motivos fúteis, como errar na compra de um produto para casa? Se machistas agridem, é porque não sabem dialogar. Uma prova do caráter irracional do machista.
Sinceramente, não há honra nenhuma em ofender, agredir ou matar alguém. Mesmo que a outra pessoa esteja errada, afinal todos erramos por estarmos em processo de aprendizado constante, a melhor solução é, sem exceção, o diálogo. Se todos os casais conversassem mais, a violência doméstica seria uma ficção impensável. Lembrando que afinidade nem sempre é critério de escolha na hora de começar um relacionamento, embora dever ser.
Dá para prevenir a violência doméstica. E quase ninguém sabe disso
Claro que culpar a vítima é um erro, pois muita gente cai como vítima na violência, seja de qualquer tipo, sem saber qual a intenção do agressor. Mas há meios de se evitar a agressão, observando características típicas do agressor. Algo que as mulheres não sabem ou fingem não saber, pois na mente delas um comportamento brucutu é sinônimo de proteção e segurança.
Não dá para converter um brucutu em gentleman, salvo raríssimas exceções (e quando é da vontade do próprio homem mudar o seu comportamento). Esquece este romantismo idiota de que isso é altamente possível. A vida não é uma comédia romântica, como muitos pensam.
Sei que para as mulheres é prazeroso mudar o comportamento de um namorado ou marido. Mas a teimosia faz parte do machismo e mudar muitas vezes é um sinal de derrota para os "machões". E machistas odeiam derrotas. Justamente quando se acham derrotados é que os machistas partem para a agressão. E quem estiver na frente de um machista irado, vai apanhar.
O meu comentário deixou subentendido que uma das primeiras coisas a fazer para prevenir a violência doméstica é saber escolher homem. É algo bem complicado, pois a nossa sociedade não leva a sério o processo de conquista e o estereótipo do "Tio do Pavê" dificulta para que as pessoas enxerguem vilania em um grosseirão de tom de voz agressivo.
Muita gente pensa que o comportamento agressivo de uma pessoa não estereotipada como bandido é uma brincadeira que merece ser desprezada. Mas não é. As mulheres precisam parar de pensar que um comportamento agressivo é sinal de coragem e decisão.
Até porque machistas, no fundo, são medrosos e indecisos. Não sabem o que querem até pelo fato de serem irracionais. Só usam o cérebro na hora de ganhar dinheiro. Fora disso, desligam totalmente a cabeça e agrem como primatas mesmo quando estão alegres. E alegria não é sinônimo de bom caráter, pois há maus que vivem sorrindo e muita gente boa que vive chorando.
As mulheres, aos poucos vão percebendo a necessidade de mudar critérios de escolha
Algumas mulheres já começam a mudar critérios de escolha de homens, principalmente nos países desenvolvidos. Homens mais meigos, que antes eram sinônimo de insegurança e frouxidão, tem sido escolhidos por mulheres lindas e cobiçadas e surpreendendo na capacidade de proteger as suas amadas, com um comportamento gentil, decido e racional.
No Brasil, isso acontece de forma tímida e muito lenta. Latinas ainda sentem um certo fascínio por bad boys e isso é reforçado pelo fato das conquistas amorosas ainda não serem muito levadas a sério, tratadas como brincadeiras de recreio em escola primária.
Mas se as mulheres mais jovens quiserem evitar a violência doméstica ainda forte nas gerações anteriores, é indispensável mudar os critérios de escolha de pretendentes. É importante nunca esquecer que o machismo continua forte e transmitido de geração a geração. O machismo ainda é bem forte em homens jovens, que enxergam na masculinidade motivo de orgulho e empoderamento capaz de fazer os homens passarem por cima de quaisquer pessoas que julguem inferiores.
Uma dica: procurar homens mais meigos e intelectualizados. As mulheres deveriam estudar mais sobre diversos assuntos para tornarem capazes de detectar intelectualismo em homens. Agressores são burros e por não saberem argumentar, agridem. Intelectuais conversam.
Mas cuidado: se alguém parecer intelectual e agride é porque é um farsante. Mas o tom de voz denunciará o pseudo-intelectual mesmo quando está alegre. A um jeito agressivo de se alegrar muito peculiar de machões, que poderia servir como sinal para se prevenir contra a violência doméstica.
Procurar em lugares frequentados por homens sensíveis e inteligentes
Vejo muita semelhança na personalidade de todos os agressores. Todos tem os mesmos trejeitos e costumes e normalmente tem nos bares e boates o seu habitat natural. Mudar o lugar de paquera é outra medida a ser feita. As mulheres deveriam procurar seus pretendentes em lugares que possam ser frequentados por homens sensíveis e intelectualizados.
Museus, bibliotecas, jardins, exposições de flores, feiras de livros, entre outros similares a estes, são lugares que podem oferecer às mulheres a oportunidade de encontrarem homens capazes de respeitar as mulheres e estabelecer diálogos frequentes que ajudarão o casal a se crescer junto no caminho da evolução humanitária. Pois o aprendizado mútuo é o verdadeira finalidade do relacionamento a dois.
Pena que muita gente se esquece disto e insiste pelos velhos costumes na hora de paquerar e iniciar um relacionamento. Por isso que a violência doméstica é uma realidade que cresce e não dá sinais de que vai acabar. Até porque é resultante de costumes que a sociedade insiste em manter. Até porque causas antigas, consequências antigas. Que tal mudar isso?

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