Muito tem se falado sobre algoritmos. Falando em linguagem para leigos, seria uma espécie de programação que levaria em conta certos critérios - em geral popularidade - para realizar uma busca ou colocar postagens em determinadas ordens.
Criadas sob a desculpa esfarrapada de tornar a internet mais pessoal e agradável ao usuário, na verdade ela tem servido com instrumento para evitar a mudança de paradigmas sociais para que interesses de poderosos magnatas sejam preservados.
Manter a humanidade presa a certos valores é uma meta desses magnatas, pois assim eles podem manipular multidões a fazer o que eles querem. A internet surgiu como uma ameaça ao pensamento único, colocando em cheque vários valores e conceitos que magnatas queriam que fossem consagrados e estabilizados na mente de multidões. Algo precisava ser feito.
E algo foi feito. Algo-ritmo. Fazer com que a busca da internet levasse em conta a popularidade de certos temas e a preguiça do usuário em procurar assuntos diferenciados. Magnatas perceberam que a maioria das pessoas tendia a seguir a maioria para não ficar sozinha. E fazê-las pensar igual seria uma ótima forma de manter conceitos e valores que tornariam a sociedade intelectualmente inerte.
Os algoritmos pioraram a internet, limitando resultados e forçando as pessoas a se prenderem a pontos de vista e com isso a humanidade desiste de progredir, pois ao consagrar conceitos e valores, acabam também consagrando interesses.
A sociedade não evolui, os vencedores sociais continuam os mesmos e nada muda, fazendo com que ricos continuem ricos e pobres continuem pobres e por aí vai. Mas isso foi um exemplo, pois não é só na economia que os interesses particulares de alguns são colocados contra os de outros.
Até mesmo os esquerdistas, que se consideram imunes a ditaduras dos algoritmos são aprisionados nos algoritmos, já que nos assuntos relativos a cultura e costumes sociais demonstram um forte conservadorismo não visto quando eles falam sobre política, economia e direitos humanos. Os algoritmos impedem debates maiores sobre costumes sociais, que vão sendo mantidos por muitas décadas sem perspectivas de mudanças.
A Criminalização da Deep Web
Para preservar o pensamento único, a grande mídia presente na internet tratou de criminalizar a deep web, a parte da internet não encontrada nos sites de busca. Não confundir com a dark web, parte da deep web onde atividades ilícitas e criminosas são praticadas. A confusão entre as duas é benéfica para os tecnocratas que querem usar os sites de busca oficiais, incluindo o Google, como estabilizador do pensamento único.
A deep web se torna uma alternativa para quem busca algo diferente na internet. Seria como a mídia alternativa da internet, uma opção de extender os resultados de busca e encontrar aquele valioso material que não é mais reconhecido por sites de busca e que pessoas com espírito de garimpagem e pesquisa colocam em seus sites para preservar valiosos materiais. Criminaliza-la seria impedir o seu uso e favorecer os sites de busca oficiais, controlados e patrocinados por magnatas gananciosos.
O que me fez escrever esta postagem foi a tentativa de usar o Google para procurar um vídeo que eu gravei na rodoviária de Volta Redonda. Pasmem: eu não achei o vídeo na busca. Mesmo recente e divulgado em um blogue, o vídeo não aparecia na busca. Culpa do maldito algoritmo.
A redução de resultados de busca é outro dano causado pelos algoritmos. Muitas coisas que eram comuns na internet de 15 anos atrás não são mais encontradas nos sites de busca oficiais. Fiquei com dificuldades de realizar um trabalho particular graças a este motivo e tive que recorrer a amigos para arrumar material. Consegui fazer o trabalho, concluindo mais tarde que o esperado por causa da dificuldade.
Isso tudo para mostrar que os algoritmos pioraram a internet. O que era prazeroso e surpreendente virou algo banal, óbvio, repetitivo. Tudo para preservar os interesses financeiros e morais de uma meia dúzia de magnatas.

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