Vida afetiva é complicada. Embora muita gente pense que não, a vida amorosa é acima de tudo você colocar em sua vida uma pessoa estranha, educada de forma diferente, e que conviverá com você até o resto da vida, caso o processo de conquista "dê certo". Coloco aspas porque nem sempre uma conquista bem sucedida resulta em um relacionamento bem sucedido. Divórcios me dão razão.
Resolvi entrar em vários aplicativos de namoro, não para arrumar namorada, mas para entender como funcionam e quais os perfis de seus usuários. Claro que como só gosto de mulher - nada contra os gays, mas não preciso ser gay para defendê-los - eu analisei o público feminino. Embora não seja difícil imaginar que tipo de homem adere a este tipo de aplicativo, cá para nós, nada democrático.
Vou listar aqui o que eu aprendi com a experiência em aplicativos de namoro. Admitindo, para o bem e para o mal, que as pessoas mais sensatas conquistam de forma presencial, aproveitando as oportunidades que aparecem diante de seus olhos.
Quem procura namoro por aplicativos, ou está desesperado ou quer apenas brincar. Pois, estes aplicativos não passam de meros joguinhos de sim ou não. Vamos ao que eu aprendi.
Recursos são limitados - Esses aplicativos são muito limitados em recursos. Não estimula as pessoas a escreverem em seus perfis e não favorece o contato dos "matchs" fora do aplicativo. Tudo deve ser feito pelo aplicativo. Até as versões pagas tem limitações, estendendo pouco em relação às versões gratuitas.
Limitação de lugar - os criadores de aplicativos entenderam que a paquera deve ser imediata. Por isso trataram de orientar os algoritmos para limitar geograficamente as opções de paquera. Ou seja, você só por de paquerar quem vive em uma área próxima de onde seu celular atua. Nem adianta mentir, o GPS do seu celular comanda o algoritmo. Se você mora no Rio de Janeiro e a sua possível "metade" só tem condições de ser encontrada em Fortaleza, o algoritmo nunca vai oferecer ela para você, que tem que se contentar com as cariocas destrambelhadas que estão ao seu alcance.
Aparência é que vale - Os aplicativos de paquera se baseiam no mito de que apenas a beleza física é suficiente para atração. Nada disso. Eu mesmo sou mais conquistado pela voz do que a aparência, além de concordar que a personalidade é o fator crucial para o sucesso de um relacionamento. Afinal, se eu quisesse beleza sem personalidade, adquiria um quadro e não uma namorada.
O erro está nas pessoas, não nos aplicativos - Aplicativos são criados para dar dinheiro para quem os cria. Aplicativos em si nada tem de errado, fora as limitações mencionadas. O que estraga esse tipo de aplicativo é a mediocridade de 90% de seus usuários, já que as pessoas sérias preferem a paquera presencial. Sensatos são minoria esmagada neste tipo de aplicativo. Normalmente, usuários costumam ser fúteis, infantis e presos a ilusões. É o que arruína tudo.
Virgem Maria ou Loira Gelada ou Virgem Maria e Loira Gelada - Quase a totalidade das usuárias de aplicativos é composta por mulheres bebuns ou mulheres beatas ou ainda mulheres ao mesmo tempo bebuns e beatas. Se quer fugir simultaneamente de álcool e de religião, desista de aplicativos. São esses os tipos de mulheres que encontrará.
Eu e você e o futebol - Em se tratando de Brasil, todo relacionamento periga em se transformar num menage a tróis: Você, sa namorada e o time dela. Se você gosta de futebol, corre o risco dela torcer pelo seu adversário. Se você não curte futebol, isso é uma cilada. Neste caso, pode esquecer as tardes românticas de domingo, quando o time dela for jogar. Ela vai te trair com 11 homens de uma vez só.
No Bumble, mulheres não sabem que a iniciativa parte delas - No Bumble, a coisa fica mais complicada porque a regra deste aplicativo é a de que as mulheres devem tomar a iniciativa. Como brasileiros são conservadores, encasquetaram na cabecinha oca de que "mulher é a caça e o homem, caçador", forçando homens tímidos a terem que tomar inciativa com mulheres extrovertidas. Acostumadas a serem cortejadas, quando da "match" as mulheres brasileiras ficam esperando e o que poderia virar um relacionamento agradável desce direto para o ralo. Morre na praia.
Muitos entram só para brincar - Pelo clima de excessiva descontração - quase infantil - desse tipo de aplicativo, é razoável saber que a maioria só está nessa para brincar. É como um video gema em que você olha para uma foto e aprova ou não. Quando dá "match" você ganhou o jogo. Mesmo que as pessoas estejam a procura de namoro, os aplicativos não deixam de ser reles passatempos para quem nada tem de realmente importante para fazer.
Se nasce um relacionamento bem sucedido de um deles é por pura sorte - Podemos considerar este tipo de aplicativo um jogo de azar: somente após incontáveis tentativas ou por um sorte bem forte que a busca resultará em um relacionamento destinado ao sucesso. Mas é algo que pode demorar muito para se concretizar para as pessoas menos "abençoadas pelo destino". Mas não custa tentar, preparando a paciência para esperar bastante até que dê certo.
Escassez de informações sobre o pretendente - Como nenhum deles obriga a pessoa a escrever um perfil, apenas estimula (o que acaba, na verdade, desestimulando, seguindo a lei do menor esforço), os perfis são vagos e possuem poucas informações sobre os pretendentes. Os aplicativos entendem que você descobrirá mais coisas durante as conversas, mas o risco de constrangimento e decepções é alto, pois por não saber como é a pessoa, a chance é grande de se esbarrar com um divergente.
Analisando quanto a oferta de pretendentes
Maior parte destas características não somente se referem a aplicativos de paquera/namoro, mas também a comunidades de redes sociais. O PTinder, por exemplo, não possui aplicativo (ainda em construção), mas já atua no Instagram através de um perfil oficial.
Abaixo, eu listo os principais aplicativos de paquera e namoro quanto ao tipo de público mais frequente, analisando o perfil predominante de pretendentes. Me refiro ao público feminino, pois é o que eu analisei. Outras pessoas podem traçar o perfil masculino predominante de cada aplicativo ou comunidade. Vejam o que observei quanto ao tipo de público feminino predominante de cada um:
Dating (Facebook) - É o mais cafona deles. O público predominante é o de baixa renda e baixa escolaridade. Há muita gente feia e vulgar entre os usuários. Não recomendável para quem busca algo mais intelectualizado ou mais meigo.
PTinder (Instagram) - É uma comunidade de esquerda. Mas como esquerdistas brasileiros tem certos dogmas, prepare-se para ver muito drogados no ambiente. Religiosos, torcedores de futebol e alcoólatras são comuns, já que as esquerdas brasileiras estão presas a estes valores. Ah, se você adora carnes, como eu, desista. Veganos e vegetarianos são maioria no PTinder. Até porque as esquerdas brasileiras, mesmo altruístas, decidiram proteger primeiro os animais para depois os seres humanos.
Bolsolteiros - É uma comunidade de direita. Nunca entrei nele, mas conheço um esquerdista amigo meu que entrou sem revelar a orientação política e o analisou. Por ser de direita, o aplicativo é menos altruísta, tem gente mais interesseira e menos humanitária. Se o PTinder decepciona pelo humanismo frouxo, aqui nem falso humanismo há. Religiosos, bebuns e torcedores de futebol também existem aos montes aqui (claro, se trata de Brasil), mas com um índice maior de fanatismo. Há muita pose de intelectual, mas não espere ideias brilhantes por aqui. É tudo fachada. Mas há gente mais bonita aqui do que no PTinder, já que as elites se esforçam na sua "pureza estética".
Tinder - Por ser mais popular e o que mais tem inscritos, é mais eclético. Mesmo assim, o ecletismo tem limites, pois ateus, pessoas que não curtem futebol e pessoas que detestam o sabor da cerveja e o barulho dos bares são muito raros.
Bumble - É um Tinder um pouco melhorado. Mulheres cafonas e vulgares são raridade por aqui. Mas há muitas alcoólatras (talvez associando o Bumble não ao mel de abelha, mas ao "mé" do Mussum dos Trapalhões) e a iniciativa tem que vir das mulheres. Mulheres tímidas, sem iniciativa ou até preguiçosas, tem que se mexer se quiserem namorar, sem esperar alguma coisa dos homens, já que o aplicativo não permite iniciativa masculina.
Badoo - Por ser menos popular, é um Tinder meio cafona. Não há muito o que falar sobre ele, além da escassez de opções de pretendentes.
Par Perfeito - Semelhante ao Tinder, só que mais popular no Brasil, que no exterior. Muito limitado em sua versão gratuita, com menos recursos que outros aplicativos. Pelo menos na época em que usai, pois não verifiquei suas versões mais recentes.
Há outros aplicativos que não testei, mas pelo que pesquisei em sites de busca, o POF (Pleny of Fish) parece o melhor, pois estimula a colocação de informações. Algo que possui o OK Cupid, ainda inédito no Brasil. Talvez eu precise dar uma olhada neles.

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