Uma coisa estranha que vendo notando na mídia infanto-juvenil. Parece estar havendo uma inversão de valores que poderá contribuir para o aumento da já crescente piora da cultura mundial. Para a mídia especializada em produtos para crianças e adolescentes, rock virou coisa de criança.
Gente graúda ouve músicas menos elaboradas e precariamente artísticos como o pop dançante (que predomina nas rádios), hip hop e os ritmos brasileiros conhecidos como "populachos" (axé, pagode, "funk", "sertanejo", brega e similares). Se prestarmos atenção, o que está sendo proposto é um retrocesso cultural, a completar o processo de desamadurecimento do adulto.
É perceptível que segundo as regras sociais, os adultos devem, ao crescer, se livrar de qualidades importantes como a espontaneidade e o companheirismo incondicional (as amizades adultas são sempre condicionais) em prol do consumismo supérfluo e da competitividade pela sobrevivência.
Se não bastasse chegar à vida adulta mais burros e insensíveis, os adultos ainda passam a consumir formas idiotas de cultura, como se fosse necessário desligar o cérebro durante os momentos de lazer. Inventaram a tola tradição de que intelecto só serve para emprego.
Noto que muitos doa atuais desenhos e atrações direcionadas ao público infantil, quando resolvem fazer menções a música, se utilizam do rock como formato. Star Darlings, da Disney e o Under Undergrounds da Nick são exemplos disso. Bandas com músicos e sem os supérfluos dançarinos que pipocam no pop supostamente direcionado aos pós-adolescentes e jovens adultos. Pior que os mesmos empresários que jogam o rock para crianças estão por trás do pop juvenil "para adultos", pois vários de seus pop stars vieram do meio infanto-juvenil.
Desconheço qual a intenção ideológica de colocar rock para crianças e pop dançante pseudo-erótico para os adultos. Acredito que os empresários de produtos infanto-juvenis estejam seguindo a tendência capitalista de desestimular a intelectualidade e o ativismo social para que não surjam subversivos dispostos a mudar as relações de poder vigentes no mundo. Como crianças não possuem condições legais para mudar as coisas, é inofensivo jogar para elas algo mais elaborado.
É somente uma hipótese, que faz bastante sentido. É muito estranho ver crianças consumindo algo mais palatável que os adultos, que quando crescem, acabam virando bestas, babando por musiquetas sobre traição amorosa com trezentos dançarinos rebolando ao redor dos cantores que cantam sobre um playback instrumental.

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