É notável o fato de que a região nordeste do Brasil é mais humanista e mais inteligente que o sul-sudeste do país. Consegue resolver seus problemas com facilidade, mas se mantém na miséria por falta de recursos, já que as elites do país sempre sabotam para que os mais carentes nunca saiam de sua humilhante situação. Inclusive as elites nordestinas.
Ah, essas elites nordestinas... Conseguem ser piores que as elites de outros lugares. Acuadas por um grande número de pobres que ameaçam melhorar de vida, as elites nordestinas são ainda mais odiosas, por conviverem com algo que ameaça a sua confortável ganância e intrometido poder.
Isso explica porque várias das empreitadas controladas pelas elites fracassam ou seguem precárias, como o sistema de transporte. Em Salvador, ônibus é "transporte de pobre". A classe média é programada desde a infância a ter automóvel, sinônimo de liberdade e dignidade para quem ganha mais de 5000 reais por mês.
O transporte público soteropolitano ainda segue sofrível. Apesar de algumas melhorias, graças a implantação do metrô, o sistema de ônibus segue caótico. A maior empresa local, a Salvador Norte, está quase falida e cedeu linhas para as outras duas operarem. A frota mais antiga deixa a desejar em conservação. Como empresários costumam ser de elite, a preocupação com melhorias é nula.
Mas conversando com integrantes da classe média, a classe que pensa que é rica e por isso vive puxando o saco das elites, com um estilo de vida que parece uma caricatura do "life style" de magnatas poderosos. Justamente é da classe média que vieram os baianos que votaram em Bolsonaro.
Tenho parentes baianos que pertencem a classe média alta e sei o que estou dizendo. São pessoas deslumbradas, fora do mundo real, que se acham o máximo e que ficam chatadas quando tem que ajudar alguém, mesmo que seja um parente. Religiosos, acham que caridade é dar migalhas aos pobres em instituições religiosas comendadas por verdadeiros charlatões.
A classe média baiana é um nojo. Metida, se sente claramente incomodada com o "excesso" de pobres que veem pelas ruas. Consideram os pobres como bichos (o que justifica a caridade precária) e isoladas em seus condomínios de luxo ou mansões, falam das maravilhas de ter um mundo só para si, dentro da bolha de sua classe, sem esquecer de bajular os ricaços, sua fonte de inspiração.
Mas não se iludam, a classe média baiana é imbecil, burra e otária. Tratou de se apossar da delirante axé-music, deixando os risíveis arrocha e pagodão para imobilizar os mais pobres. O axé-music, elitizado mas tão ruim quanto os citados ritmos empurrados para os pobres, virou a trilha sonora desta classe imbecil que se acha melhor que quaisquer outras.
Dois nomes do axé ilustram bem o elitismo baiano: o Netinho do Axé e Ivete Sangalo. O primeiro, falido após sobreviver a um câncer gerado por bombas de vitamina para cavalo, que o deixavam musculoso, virou bolsonarista e não perde a oportunidade de vomitar seu fascismo anti-pobres sempre que pode. No GIF que ilustra esta postagem, o cantor ensina Bolsonaro a dançar.
Quanto a Ivete Sangalo, cantora medíocre que se acha a melhor do Brasil, cujos "melhores momentos" mais parecem versões tupiniquins da intragável Celine Dion, tem origem nobre, embora viva fingindo ser "do povão" e é uma tucana enrustida, participante da passeata direitista "Cansei" e, podre de rica, nunca fez nada que pudesse desenvolver de fato a Bahia. Embora muitos gostem dela, graças ao seu jeito quase masculinizado de fazer piada.
São exemplos de uma elite que idolatra o falecido Toninho Malvadeza (ACM), líder da oligarquia do estado, que é muito bom em criar paisagens urbanas, mas é péssimo no trato com os mais carentes. Afinal, cidade linda com gente feia é coisa que incomoda muito a classe média e sua bajulada elite local. Para muitos abastados (e abestalhados) da classe média baiana, seria melhor que pobres morressem.
É triste ver que a capital baiana possui gente deste nível entre os mais abastados. Isso explica porque um estado com tantos recursos naturais e gente disposta a trabalhar (do contrário do falso mito do baiano preguiçoso), se mantém em crônico atraso. Mas vamos ver se as coisas mudam nos próximos anos. Se essa elite ignorante metida a sabidona deixar...

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