É sabido que esquerdistas são quase todos casados. Muito bem estabilizados em seus relacionamentos, com filhos e uma vida relativamente confortável, são incapazes de entender a solidão, algo que não faz parte das vidas deles. Isso acaba criando uma série de preconceito, praticados por quem jura de joelhos que não é preconceituoso.
Entre os esquerdistas há um preconceito enorme contra solitários, ainda mais se estes se considerarem infelizes com a solidão. Solteiros alegres ainda são respeitados, enquanto solitários crônicos recebem rótulos pejorativos e são jogados para o canto do convívio social, quando deveria acontecer o oposto.
Por terem relacionamentos estáveis e vida social intensa e movimentada, os esquerdistas, que costumam ser altruístas com favelados (como se a única missão dos esquerdistas fosse apenas dar visibilidade a quem mora nas favelas), mas ignoram totalmente quem é solitário, um problema que não pertence a uma classe econômica definida mas é uma realidade que cresce silenciosamente.
A vida social, incluindo a amorosa, deve ser de responsabilidade de cada um. Pessoas felizes na vida afetiva não sabem resolver problemas de solidão alheia. Quando tentam, quase sempre sai um fracasso. E se ajudam, estão mais interessados em criar uma nova estória de amor do que realmente beneficiar uma pessoa cuja solidão o incomoda.
O PTinder é uma das soluções. Desnecessária, até. A capacidade de influência da mídia alternativa é suficiente para mudar os costumes sociais, tornando a vida social mais democrática, sem aquela mania de seguir a maioria ao estilo "se não pode vencê-los, junte-se a eles". Mas não é interesse de esquerdistas brasileiros mudarem costumes. Brasileiros de esquerda desejam apenas incluir mais pessoas na alegre festa do neoliberalismo.
Por isso que acharam mais fácil ligar o chuveiro em dia de chuva e criar mais uma rede social que de fato tem se mostrado uma rede igualzinha as outras, com pessoas que realmente são iguais a outras, com a única diferença que não votaram no Bolsonaro em 2018.
Essa é apenas uma das inúmeras derrapadas de uma esquerda que deveria defender o amor livre, que seria uma forma mais democrática de amor, sem casamento (que na prática é uma privatização de seres humanos, como se um pertencesse ao outro, algo tipicamente capitalista). O amor livre corrigiria uma série de erros resultantes das injustiças afetivas de uma humanidade ainda imatura.
De qualquer forma, os esquerdistas, felizes em seus relacionamentos estabilizados e com um milhão de amigos pra bem mais forte poder esquerdizar, são incapazes de oferecer soluções para quem vive solitário. Estes que se virem, jogados em um canto, sob o rótulo de "fascistas", sem ter alguém para recorrer e tirar da triste sina de viver na solidão crônica.
Uma crueldade, se lembrarmos que humanos são seres sociais e todos tem direito a afeto.

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