Os brasileiros são Marias-vão-com-as-outras. Tomam os costumes da maioria como corretos e seguem sem contestar, tendo a dificuldade (ou recusa?) em pensar por conta própria, tendo gostos, ideias, opiniões e valores próprios. Uns até sabem disso e argumentam que se não seguirem a maioria, ficariam sozinhos e sem os benefícios da vida em sociedade. Mas a maioria nem percebe que segue cegamente a maioria.
Conversando com um amigo meu psicólogo, ele garantiu que é possível uma ideia ser inserida na mente de alguém de uma forma que este alguém pense que a ideia surgiu na cabeça dele. Não sei como, mas sei que isso acontece. E a publicidade brasileira sempre lança mão desse recurso.
Lembram das cobaias de animais? Condicionando o comportamento dessas cobaias, através de um treinamento que envolve repetição de atitudes padronizadas, após algum tempo, elas passam a repetir esses comportamentos padronizados de maneira espontânea, como se não tivessem sendo induzidas a isso.
Já escrevi textos que fazem menção ao treinamento das cobaias e me fizeram pensar a respeito da comparação entre o comportamento dessas cobaias e o hábito de brasileiros padronizarem seus gostos, hábitos, ideias e valores. E isso tem muito a ver com o treinamento, já que a padronização verificada nestes aspectos, em muitos casos é irracional e equivocada, gerando inclusive uma perpetuação dos preconceitos, injustiças e problemas que estamos cansados em ver ao nosso redor.
Para que ideias incoerentes durem tanto tempo na mente de pessoas, é porque elas foram colocadas no consciente coletivo dos brasileiros. A maioria esmagadora de nosso valores é aceita por crença, sem verificação de sua validade e quando são justificadas, é quase sempre com argumentos subjetivos, ilógicos e bastante ingênuos.
Ideias padronizadas são impostas com sutileza pelas elites
É do interesse das classes dominantes que a população esteja submetida a certas regras e crenças, para que se mantenha quieta em seu cotidiano e aceite as injustiças que favorecem os privilégios das chamadas "elites", enquanto essas mesmas elites decidem, através de leis e da capacidade de financiá-las, o que deverá colocar na cabeças das pessoas, usando os meios de comunicação como instrumento de autenticação de valores.
Muitos dos valores autenticados pela mídia e que pensamos ser correto, foi induzido em nossas mentes na intenção de nos imobilizar. Por isso que nossos valores são tão padronizados. Por isso que preferimos seguir a maioria, ao invés de pensarmos por nós mesmos. Até porque seguir a maioria exige muito menos esforço (além de preservar as zonas de conforto) do que pensar por si só. É como navegar com a correnteza: é fácil, mas a gente se esquece que quase toda correnteza acaba num penhasco bem perigoso.
Deixemos de ser cobaias e analisemos todos os valores que nos empurram. É difícil remar contra a correnteza, mas isso pode salvar as nossas vidas.

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