Por uma coincidência, eu havia pego ontem a música Long Ago Tomorrow, gravada por ele e que tocou muito na rádio Antena 1. Uma bela música que fala sobre o passado. Mas outra música gravada por ele tem uma relação muito íntima comigo.
Eu nasci com um defeito no intestino classificado como Megacolon Congênito, conhecido também com o complicado nome de Doença de Hirschprung, que me fazia chorar muito. Mesmo com a operação bem sucedida, tenho sequelas da doença até hoje, já que para mim, defecar é um sacrifício, pois eu não tenho as terminações nervosas no reto que facilitam a saída do excremento.
Tive que ser viajar de Florianópolis para o Rio de Janeiro para ser internado em 1972 para fazer a cirurgia, no hospital Nossa Senhora da Glória, na Tijuca. Curiosamente, Tijuca o bairro do Rio de Janeiro onde meu pai está morando agora, o que fez com que ele voltasse a ser atendido neste ano por este hospital, que pertence à Marinha (meu pai é sargento aposentado).
Comovido com meu sofrimento, meu pai dedicou a mim a música Rock'n'Roll Lullaby, de autoria dos hitmakers Barry Mann e Cynthia Weil e gravada por BJ Thomas, que a consagrou. É uma música bonita, mas não é a minha preferida das gravadas pelo cantor, de quem eu não sou fã (quem é fã é meu pai). Mas combina para embalar um bebezinho, ainda mais em situação ruim como aquela.
Gosto mais da citada Long Ago Tomorrow e de Raindrops Keep Falling on My Head, pois gosto muito de Burt Bacharach, autor desta última, com letra de Hal David. Esta bela canção foi o principal tema de Butch Cassidy & Sundance Kid, divertido western com Paul Newman e Robert Redford, que eu nunca vi, mas desejo ver um dia, já que adoro filmes de faroeste.
Voltando a canção que meu pai dedicou a mim, cujo título significa, "Canção de Ninar Rock and Roll" (que apesar do nome, não é um rock e sim uma balada levemente country), ela fez com que meu pai se tornasse fã do cantor. Poucos anos atrás, eu fiz uma coletânea com músicas do cantor - selecionada por mim, com músicas pegas na internet - e dei a meu pai, que até onde sei, não sabe da morte do cantor.
Mas nem tudo são flores. Infelizmente, na Bahia, um grupelho de axé-music, liderado por um cantor arrogante metido a engraçadinho, fez uma versão medonha da música que nem é bom mencionar com detalhes aqui. Meu pai também detestou a versão. Quem quiser que pesquise e ouça.
De qualquer forma, mesmo não sendo fã de BJ Thomas, fico triste com o seu falecimento. Mas fica aqui esta lembrança e a curiosidade que tem muito a ver comigo, na época um bebezinho de um pouco mais de 1 ano de idade a enfrentar o bisturi bem jovem para corrigir um defeito de nascença em uma operação bem sucedida, mas comovendo um amoroso pai que dedica uma bela canção ao seu filho pequenininho.
Valeu pai pela homenagem! E pelo apoio que está dando até hoje em minha nova fase da vida.
Valeu BJ Thomas, por ter gravado a canção dedicada a mim e muitas outras. Vá em paz, amigo!

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