Em tempos de anti-cabecismo e mediocridade cultural, vemos a sociedade cada vez mais emburrecida. Valores intelectuais vão se deteriorando, levando junto os outros valores, que vão decaindo junto.
Apesar disso, ninguém gosta de ser chamado de ignorante e por isso os burros sempre acabam arrumando um jeito de parecerem sábios diante dos olhos alheios para poderem ser aceitos pela sociedade ou até mesmo para fazê-la atender aos seus interesses fúteis.
Como os jovens de hoje desconhecem a verdadeira rebeldia, resolveram inventar a sua, só que adequada ao baixo nível intelectual em que se encontram. Se acham que a sociedade está errada, preferem confrontá-la não mais com a rebelde inteligência, mas com a mais primal das grosserias que só fariam sentido nos tempos das cavernas.
Apelar para a vulgaridade, para a desonestidade, para a agressividade, tem sido um meio que os jovens de hoje (completamente confusos com o excesso de informação que não conseguem processar), encontraram para dizer a sociedade que mundo eles querem ver.
E o mais desagradável é que para a mídia e um grupinho de intelectuais, essa nova rebeldia sem causa é tratada como se fosse a nova forma de rebeldia, embora, coimo eu falei, seja uma atitude tipicamente grotesca, primitiva, ou seja: um retrocesso. Mas um retrocesso visto pelos seus simpatizantes como uma "revolução".
Claro, é melhor uma "revolução" que não incomoda e não muda nada, o que faz com que as elites e governantes fiquem tranquilas em seus lugares. Estimular um ato grotesco pode até incomodar pelos riscos de vandalismo e atentados ao pudor, mas pelo menos não muda as relações de poder, além de manter a má distribuição de renda que faz a elite ser o que é.
Os jovens de hoje não querem qualidade de vida. Nem sabem o que é isso. Querem consumir. Para eles é muito mais interessante ter uma roupa da moda do que resolver o problema da falta da água em suas casas. Ter uma antena de TV por assinatura em um abarraco prestes a cair, ilustra muito bem isso.
Se bem que não falo apenas dos jovens pobres. Estranhamente os jovens ricos também agem assim. Os jovens ricos encanaram que uma maneira de se solidarizarem com os pobres não seria dando dinheiro e oportunidades a eles, mas copiar seus jeitos, seus gostos e suas gírias. Entre os jovens ricos vemos verdadeiras caricaturas dos jovens das periferias, piores até que os originais.
Isso é ruim, pois em toda a juventude vemos a queda desses valores intelectuais e comportamentais, sem ter alguém com visibilidade e poder de persuasão para evitar essa decadência.
Não que exista jovens conscientizados. Existem, mas eles estão isolados, um para cada 100 mil pessoas. E esses jovens conscientizados não tem poder de convencer os outros a mudar, já que é tradicional na sociedade brasileira acreditar que a maioria está sempre correta. "Se a maioria erra, então errar deve ser muti bom: então vamos errar também", é o que pensa a maioria que quer seguir a maioria nesta bola de neve que só segue para baixo.
Olhando pera esses jovens, ficamos sem saber o que dizer. Com costumes cada vez mais duvidosos e ídolos e líderes que estimulam a não racionalidade, não temos perspectivas de melhoras sociais em um futuro próximo.
Como do contrário que quase todos pensam, os problemas estão todos relacionados, teremos que aguentar os mesmos problemas por longos anos, pois do jeito que esta juventude age, não será ela que irá melhorar as coisas. Embora ela mesma pense que está melhorando.

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