Todos os anos são divulgadas as séries que estão sendo canceladas, as que foram renovadas e as sem futuro certo. Quanto às últimas não tenho ainda nada a comentar. Mas quanto as duas primeiras, o resultado não agradou. Isso sinaliza que, do contrário que muitos ingênuos dizem, a arte acabou de fato e o que interessa é o que dá dinheiro. Se é ruim, mas dá lucro, vamos arrastar com ele!
Porque estou dizendo isso? É que a maioria dos seriados extintos privilegiava a criatividade, tendo em seu argumento (trama básica) características que facilitariam a criação de bons enredos, com capacidade de no mínimo 10 temporadas. Mas que por causa da baixa audiência (em boa parte culpa de uma estratégia de marketing mal planejada - ou da mediocridade intelectual do público em geral), tiveram que se encerrar bruscamente, em muitos casos com personagens sem desfecho de algumas situações.
Me lembro de excelentes seriados que duraram pouco, como Grosse Ponte e Tru Calling, com potencial para inúmeras temporadas. E na contramão, Seinfeld, a mesmice em forma de seriado, que deveria ter durado no máximo duas temporadas; Friends, que estava bem no início, mas se perdeu na 6ª temporada e os inúmeros CSIs e similares que se arrastam repetidamente, influenciados por uma trama que deveria ter ficado limitada a Nova York Contra o Crime.
Entre os que se encerraram anos atrás estão The Carrie Diaries, spin off adolescente de Sex and The City que tinha tudo para decolar (era melhor até que seu seriado-mãe), protagonizado pela talentosa Annasophia Robb (de quem sou fã e que está na foto que ilustra esta postagem) e cuja trama renderia muitas estórias. Outras séries criativas que fecharam suas portas lamentavelmente: Surviving Jack, Almost Human, Hostages, Psych, Suburgatory, entre outras. Almost Human inclusive tinha tudo para ser um seriado cult, daqueles com fãs fiéis, já que une aqueles seriados com duplas de policiais com ficção científica. Cancelá-lo foi um erro. melhor ter mudado a estratégia de marketing.
Enquanto isso, entre os seriados que ganharam novas temporadas, a maioria opta pela mesmice, com tramas que se arrastam feito lesma e que apostam em temas batidos, já mostrados em outras obras.
Há uma predominância de seriados de terror, sobretudo aqueles que possuem vampiros como protagonistas (influência da Saga Crepúsculo) e de detetives ou de médicos. Todos com tramas repetidas de outras obras.
Curioso que mesmo tendo mantido alguns seriados onde há fantasia, Once Upon a Time in Wonderland foi cancelado. Sinal que Harry Potter não empolga mais (visto a pouca repercussão de filmes do gênero como Percy Jackson e A Hospedeira), provas de que o gênero fantasia já não desperta tanto interesse.
Mas há exceções...
Entre as séries mantidas, algumas surpresas: as três principais de Chuck Lorre, Mom, The Big Bang Theory e Two and a Half Man foram renovadas. As três tem motivos para serem canceladas, embora todas sejam criativas (o que significa que são exceções à regra). Mom tem uma trama básica que poderia não interessar a maioria. The Big Bang Theory é um seriado sobre nerds, e eu, estou careca de saber que a maioria odeia nerds, principalmente os brasileiros que pensam que são "nerds". Estes detestam ainda mais os verdadeiros nerds.
Two and a Half Man tem ainda mais motivos para ser cancelado. Ele tem sido motivo de discórdia nos bastidores. Após um desentendimento nada amigável, o principal astro do seriado, Charlie Sheen, acabou saindo. Angus T Jones, o "half" do nome, virou um beato religioso na vida real e fez críticas ao seriado. Oficialmente não largou o elenco mas a sua participação foi drasticamente reduzida.
Além disso tudo, o seriado ganhou uma popular rejeição pela inclusão de Ashton Kutcher como substituto de Charlie. Não notei uma alteração significativa no seriado como um todo e até tenho simpatia por Kutcher. Mas criou-se um modismo de rejeição ao ator de That's 70 show, que poderia ter servido de motivo a mais para extinção do seriado.
E é ótimo saber que foi renovado, pois a entrada de Amber Tamblyn, excelente atriz de Joan of Arcadia, enriqueceu o seriado, além de mostrar a atriz fazendo um papel totalmente o oposto de sua Joan, que conversava com "Deus".
Outra surpresa foi a renovação do maravilhosos Elementary, que transporta o personagem Sherlock Holmes, com todos os seus trejeitos, para os dias de hoje, na companhia da bela Lucy Liu, a asiática de beleza exótica que interpreta a versão não só atualizada como feminina do assistente Watson.
Os mesmos personagens foram interpretados brilhantemente no cinema (já em sua época normal) respectivamente por Robert Downey Jr (o melhor ator de sua geração), e o inglês Jude Law. Elementary é um dos seriados que eu mais gosto e o ator Johnny Lee Miller dá um show de interpretação, sendo uma atração a parte no seriado, provando que mesmo com a atualização do contexto, é mesmo o velho Holmes que volta a investigar os cries da série.
Mas mesmo com essas exceções, a tendência de mesmice predomina bastante, mostrando que ou o público se mediocrizou, ou as redes estão com dificuldades de fazer uma boa propaganda, realmente sedutora, de suas séries.
E no Brasil?
A mesma tendência se segue no Brasil, onde seriados menos criativos duram mais que os seriados com ideias originais. A Grande Família, que desde uns três anos atrás, não tinha mais o que dizer, tem sido mantida por causa da audiência, mesmo contra a vontade do elenco, ansioso para se livrar dos velhos personagens.
Enquanto isso, excelentes seriados como Aline, Junto & Misturado SOS Emergência, entre outros, tinham condições de ter muitas temporadas e foram extintos justamente por sua criatividade, não aceita em um país onde obras e celebridades medíocres são extremamente populares, bem mais que os artistas mais criativos e espontâneos. Uma pena.

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