Apesar destas causas serem lançadas e defendidas pela direita moderada - aquela que se auto-rotula de "Centrão" - e serem típicas dos interesses da classe média remediada, aquela que não precisa mais se preocupar com falta de dinheiro e de direitos, elas vem sido priorizadas pelas esquerdas, fazendo-as romper com as causas trabalhistas dos antigos bolcheviques.
Com isso, saem os operários zangados de outrora para dar lugar a hippies alegres sentados na grama. Esse neo-hippismo nada agrada às classes trabalhadoras que, abandonadas pelas esquerdas, migraram para a direita, com ajuda dos neo-pentecostais, que adotaram os interesses das classes trabalhadoras que os esquerdistas resolveram colocar em segundo plano.
Por isso que estranhamente vemos a classe média se tornando de esquerda, já que com o fim do antigo estereótipo dos operários mal-humorados e a troca por um neo-hipismo alegre, tem muito a ver com o que as pessoas sem preocupações trabalhistas desejam.
Conversando com pessoas das classes trabalhadoras, percebo que o esquerdismo, com as suas estranhas causas identitárias convertidas em prioridade, se tornaram nefastas para quem tem que ralar para ganhar uns trocados. O abandono é nítido e nota-se que mesmo dando atenções aos trabalhadores, é fato que a prioridade dos governos petistas são as causas identitárias. Mesmo o partido sendo "dos Trabalhadores".
Muitos esquerdistas alienados pensam que as classes trabalhadoras estão com as esquerdas. Se estão, só uma meia dúzia. Isso acontece porque a classe média é heterogênea. Muitos dos remediados, nem tão remediados assim, a parte menos remunerada das classes médias, se acha trabalhadora e por isso tende a acreditar que os operários e similares estão com as esquerdas. Não estão e fatos comprovam isso.
Com isso, há um sério perigo de Bolsonaro ser reeleito. As classes trabalhadoras, que ainda acreditam na moral tradicional e quer dinheiro no bolso e comida na mesa, vê nas causas identitárias algo de outro planeta e fora do mundo real. As esquerdas vão se auto-destruir se continuarem priorizando as causas identitárias, como vem fazendo até este exato instante.
Nas próximas eleições, ganhará quem prometer dar emprego e salário digno para as classes trabalhadoras. Quem quiser transformar o Brasil numa gigantesca feira hippie vai perder feio, pois isso só interessa para a classe média remediada que sempre vê a geladeira cheia e dinheiro entrando na conta bancária sem parar.
Aqui em baixo, as leis são diferentes. Aqui, o identitarismo não tem vez. É surreal demais para fazer parte da vida de quem tem os calejados pés no chão.

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