Esquerdistas não querem mudança. Estão satisfeitos com o mundo que está aí, com os paliativos benefícios que a tecnologia oferece. Apenas desejam que um número maior de pessoas, consideradas excluídas, participe deste "maravilhoso mundo" do século XXI.
Mas porque esta postura não-revolucionária das esquerdas brasileiras, que preferem ser conciliadoras e manter valores e costumes arcaicos, que temos desde o início do século XX, com pouquíssimas atualizações? A resposta pode estar na consagração destes valores e costumes em uma época em que a internet não existia.
Valores como o jeito como nos divertimos, como nos amamos, como pensamos e tomamos decisões. Valores como religião, futebol, cultura, casamento, etc. Valores que defendemos há muitas décadas e que consagramos pelo uso a ponto de acharmos naturais, como se fizessem parte de nossos organismos físicos. Como se fossem nossas razões de viver. Tudo lançado e consagrado pela mídia dominante.
Sem outro meio de comunicação para contestar, valores difundidos pelos meios de comunicação até a primeira metade da década de 1990 acabaram se consagrando e fazendo parte do subconsciente da população, moldando seus interesses particulares a ponto das pessoas construírem e solidificarem seus projetos de vida baseados nestes valores, que com o tempo ganharam caráter de nobreza e imutabilidade.
Isso explica o conservadorismo das esquerdas que, acreditando que respeitar seres humanos significa respeitar suas tradições, fazendo com que o esquerdismo brasileiro se torne protetor desses valores imutáveis. Isso atrapalha muito os planos de revolução das esquerdas que se limitam ao discurso, que acaba por se tornar hipócrita.
As esquerdas precisavam se desfazer desses valores se quisessem realmente mudanças reais na sociedade. Mas sem abrir mão dos valores aprendidos pela grande mídia, nos tempos de pensamento único, esquerdistas preferiram tomar para si o copyright desses valores, já que se tornaram arraigados para a população que eles querem tutelar.
Por isso que as esquerdas insistem em defender esses valores como se fossem seus, embora tenham nascido nos berços da mídia capitalista. Como não querem mudar a mente das pessoas e serem considerados "manipuladores" por causa disso, preferem acatar tais valores como "sagrados" e defendê-los como se fossem seus.
Isso explica o conservadorismo enrustido da esquerda brasileira, que não quer mudar o mundo de fato, mas lutar pela inclusão de mais pessoas a beneficiar desses valores sociais gerados pelo capitalismo e que as esquerdas lutam para ter o direito autoral sobre eles.
Portanto, se você percebe que os esquerdistas andam defendendo velhas ideias, velhos costumes e velhos conceitos, já sabe porque acontece. Ninguém se preocupou em oferecer alternativas de pensamento antes que o pensamento oficial se consagrasse.
Mas agora que se consagrou, paciência. Restou às esquerdas lutarem pelo seu copyright. Como se isso melhorasse a vida das pessoas.

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