Essa recusa a pensar acabou criando o fenômeno da pós verdade, quando as fronteiras entre opiniões (compreensão subjetiva da realidade) e fatos (o que realmente acontece) praticamente desaparecem. Muitos nem mais sabe a diferença entre um e outro e o achismo acaba sendo uma forma usada por quem não quer verificar informações para definir qualquer conceito sem parecer um ignorante.
Só que há o problema de muitas pessoas concordarem com algum conceito obtido de forma subjetiva e, pelo espiral do silêncio, acabarem transformando tais conceitos em fatos, como se fossem verdades absolutas e fatos realmente ocorrentes. Acontece muito com a religião, no Brasil, a fé cristã, cujas crenças se tornam fatos só porque são compartilhadas com um número gigantesco de pessoas.
Trocando em miúdos, uma ideia falsa, quando compartilhada por muitas pessoas, se torna verdadeira, pois ainda acreditamos que, se muitas pessoas pensam a mesma coisa é porque é este pensamento é verdadeiro, embora seja possível logicamente que muitas pessoas possam errar ao mesmo tempo. A burrice e a loucura podem sim, serem coisas de maioria, males de grandes multidões.
Por isso que muitos mitos nascem, fazendo as pessoas transformarem algo que não é verdadeiro em uma ideia defendida como uma verdade inquestionável, mudando a compreensão da realidade e distorcendo conceitos, fazendo algo parecer o que não é para os olhos da maioria.
Assim nascem os estereótipos, as fake-news, os wishful thinkings, o otimismo exagerado, a fé religiosa e os preconceitos resultantes de todos esses fenômenos. Por isso que brigamos, que deixamos de melhorar a sociedade entre outros erros que cometemos graças a nossa incapacidade de compreender o mundo. Não raramente, recusar a pensar cobra um preço muito caro de toda a humanidade.

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