No exterior, Coldplay está bem estabilizado no mainstream (música para o povão, em termo técnico nos países de língua inglesa). A rotulação de "alternativo" recebida no Brasil é mais do que equivocada, pois a sonoridade da banda não consegue nem mesmo ser uma alternativa a qualquer xaropada piegas produzida por qualquer líder de paradas de sucesso.
Para ser alternativo, tem que ser diferente. E Coldplay é alternativa para quê? Se a festejada banda inglesa oferece o mesmo prato de mesmice oferecido pelo manjado hit-parade. Lá fora, quem é do povão prefere ignorar o rótulo de alternativo e curtir o seu tradicional prato de arroz com feijão musical.
Alternativo é para universitários e intelectuais, que vivem em busca de algo muito diferente dos paradões da Bilboard e de outras listas de grandes sucessos das rádios. Alternativo tem a obrigação de oferecer algo diferente - e melhor - que os nomes consagrados pela mídia popular. E sinto muito, brasileiros, não são as baladas chorosas do Coldplay que vão oferecer isto.
Lá fora, Coldplay é povão, atrai plateias e dialoga de forma clara com quem não espera nada de intelectualizado ou complexo. Se Coldplay sempre fez as massas dançarem e cantarem junto, dois fatos recentes só comprovam a verdade de que a banda liderada pelo vocalista-galã Chris Martin é do povão, é autêntica música para as massas.
Líder de vendas não somente na Inglaterra natal, mas principalmente nos EUA, a pátria da chamada cultura de massas, o Coldplay anunciou duas parcerias que soterraram de vez a falsa fama de banda alternativa que tem no Brasil: com a boy band sul-coreana BTS e a famosa cantora - e atriz - juvenil ianque de origem mexicana, Selena Gomez.
Como uma banda que tem fama - no Brasil - de fazer música para universitários e intelectuais, mesmo que nada tenha a dizer para quem tem neurônios mais ativos do que o normal em seus cérebros, resolve fazer duetos com dois nomes que francamente, só fazem música para quem tem no máximo 12 anos de idade? Músicas completamente inadequadas a qualquer um que supere esta faixa etária?
Quem ouviu as músicas do BTS (uma espécie de Menudo da Coreia capitalista, sem autonomia artística) e da fofinha Selena, sabe muito bem da nulidade artístico-cultural dos dois nomes, que fazem música exclusivamente para entretenimento de pré-adolescentes, com letras de sentido inócuo e pouca preocupação com arranjos, melodias e harmonia. Para os dois nomes, o visual é a maior preocupação.
Curioso que Selena, que participará com o Coldplay em oportunidade diferente da do BTS, em outra gravação, já teve uma experiência com outro nome da música juvenil da Coreia capitalista, Blackpink, com lindinhas menininhas, numa pavorosa música com o nome de Ice Cream, cujo clipe é cheio de cores infantis, embora dê espaço a uma pseudo-sensualidade para acionar os hormônios da garotada.
Isso tudo significa que o mito de alternativo do Coldplay é uma farsa. É um desespero dos brasileiros, que desconhecem o verdadeiro alternativo inglês (cujos nomes mais representativos são Ride, Wedding Present, Durutti Column, etc.) de tentar arrumar algum nome para encaixar no rótulo que em si é conhecido, mas sem oferecer um nome que o representasse que fosse do conhecimento das massas.
O Coldplay é povão e felizmente é assim que a banda é conhecida lá na Inglaterra, onde lota estádios e vende discos e downloads de streaming sem parar, cantando canções fáceis de serem entendidas por quem nunca leu na vida, ostentando um visual agradável e um carisma que só faz aumentar ainda mais a sua popularidade.
E aumentar a popularidade não se chama alternativo. Se chama mainstream. Music for the masses. Música para o povão, segundo os brasileiros.
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