
Não sei porque não rotular o Coldplay de música romântica. É evidente que o excesso de músicas lentas (que no meu tempo eram conhecidas como "baladas", mas hoje a palavra mudou de significado...) e uma postura ao mesmo tempo de candura, de pieguice e de pseudo-altruísmo (aos moldes das instituições religiosas) nada tem a ver com o rótulo de rock alternativo insistentemente atribuído a banda.
Banda que na verdade não é banda. Se trata mais do cantor-galã (mais um motivo para justificar o romantismo da banda) e um pequeno grupo de músicos contratados. Chris é a cara da banda e nem os fãs mais fanáticos do Coldplay se lembram de quem são os outros integrantes do grupo.
Para cerejar o bolo do romantismo do Coldplay, Martin é casado com a belíssima atriz estadunidense Dakota Johnson, filha do veterano ator e ex-cantor Don Johnson (também galã; Chris poderia dar uma forcinha para a volta da carreira musical do sogro). Chris ainda foi casado com a também estadunidense ex-atriz e agora empresária Gwyneth Paltrol, com quem tem filhos. Que galã, este tal de Chris Martin!
Galã com jeito e pinta de lorde inglês, embora faça muito mais sucesso nos EUA do que na Inglaterra. É óbvio que a gigantesca popularidade no Brasil, algo estranho para uma banda considerada alternativa, se deu por causa da popularidade na terra de Tio Sam. Mas mesmo com altíssima popularidade, porque ainda insistem em chamar o Coldplay de "rock alternativo" se eles não são rock e muito menos alternativo?
Brasileiros não são racionais. Inspirados pelas religiões, preferem acreditar do que raciocinar. Preferem acreditar em fontes confiáveis e acatar o que elas dizem, pensando ser estas fontes "entendidas no assunto". Como estipularam que Coldplay seria rock alternativo (que não se refere a um tipo de música e sim uma situação midiática. nenhuma banda é alternativa. Está alternativa), automaticamente rotularam a banda como tal, sem prestar atenção na sonoridade e nem na atitude dos membros do grupo.
Rock alternativo, para quem não sabe, é um rótulo para bandas não muito populares, que atendam a nichos específicos, oferecendo algo muito diferente e até oposto ao que domina no mercado musical. Duas condições teriam que existir para a banda ser alternativa: oferecer algo diferente, geralmente melhor, que a tendência dominante e atender a um público específico, geralmente mais intelectualizado.
O Coldplay, ou melhor, a banda de Chris Martin, não atende nenhum desses quesitos. É sim, uma banda romântica com mensagens e postura que mais parecem as de um grupo gospel, que canta músicas sobre louvor. Até poderíamos rotular Coldplay como música cristã, mas, pelo que eu saiba, Martin ainda não assumiu uma postura religiosa clara na atitude da banda, apesar ad pieguice e do pseudo-altruísmo tipicamente religiosos.
O erro de se rotular a banda como "rock alternativo" se deve a estereótipos, como capas de discos, presença de guitarristas discretos e o próprio fato da banda ser inglesa, a pátria do rock alternativo (embora existam excelentes bandas alternativas nos EUA e em muitos lugares pelo mundo, inclusive no Brasil). Mas abrindo a embalagem, vemos um conteúdo que se encaixa mais na postura de pop romântico, como foi os Carpenters nos anos 70 e o Wet Wet Wet nos anos 90.
Curioso que o Coldplay é muitíssimo popular no Brasil, fato que seria suficiente para desmentir a fama de "alternativa" que a banda tem. Bandas alternativas nunca atraem multidões. Se atraem multidões, é porque nunca foram ou deixaram de ser alternativas.
Afinal, o Coldplay é uma alternativa a quê? Se o que ele faz é totalmente mainstream, claramente povão, e insistentemente pró-sistema?
Chris Martin x Régis Tadeu
Apesar dele gostar dos primeiros álbuns do Coldplay (algo que eu, o cara que escreve este texto discorda, por achar todo o trabalho da banda muito ruim, desde o início), a ponto de classificar a tediosa e sonolenta Yellow como canção pop perfeita, o crítico e baterista da banda Musak (esta sim, realmente alternativa) Régis Tadeu, conhecido por ter sido jurado do programa de Raul Gil, assumiu em uma postagem que odiava a banda.
Tadeu não sabia, mas a produção brasileira, responsável por trazer o Coldplay para o Brasil, leu a postagem e mostrou à empresária do grupo, que por sua vez, mostrou a Chris Martin (curioso que os outros membros pareciam alheios ao episódio, prova de que o Coldplay é Chris Martin e mais nada. Se trocar os outros membros pelo KLB, ninguém notará a diferença) que reagiu de forma curiosa.
De forma tranquila e pacífica, Martin convidou Régis Tadeu para não somente assistir aos shows como a ter acesso a áreas restritas e a festas particulares só para a equipe de produção. Tadeu, também surpreendentemente, topou e foi.
Numa área bastante restrita, levado pela empresária do grupo, com direito a nome do crítico na porta, Régis Tadeu esteve no tal local, esperando Martin, que chegou de repente, com pose de integrante da Família Real Britânica e foi logo cumprimentando: "você é o cara que odeia o Coldplay"?
Régis, também pacificamente, confirmou a informação e manteve toda a sinceridade, repetindo tudo que havia falado sobre sua banda em seu canal oficial no Youtube. Martin estava tranquilo mas não escondia a ironia tipicamente britânica, sem levar a sério o que Régis dizia sobre a banda. No final se despediu dizendo "respeite gostos diferentes".
A repercussão do episódio criou um rápido maniqueísmo que colocou Tadeu como "vilão" e Martin como "mocinho". As próprias aparências e comportamentos , de acordo com estereótipos lançados em obras de ficção já facilitaram o maniqueísmo: Tadeu, feio e mal humorado e Martin, lindo e bem humorado. Ficou fácil para definir o papel de cada um, embora neste caso, seja totalmente equivocado.
Tadeu estava certo em criticar Martin e sua postura meio messiânica, que serve para disfarçar a mediocridade de seu som. Mas Martin era o rei da festa, o farsante a enganar seu público com falso altruísmo e falso desejo de melhoria da humanidade. Tudo sempre dentro dos estereótipos lançados tanto pelas religiões como por grupos identitários, que sonham com a impossibilidade de tornar um mundo melhor preservando as injustiças do Capitalismo mais ganancioso.
Mas Chris Martin é um príncipe, aos moldes dos mais populares contos de fadas. O Coldplay é um festival de mentiras, pois nunca foi rock, nunca foi alternativo, e muito menos quer melhorar a humanidade. Quer é fazer seu showzinho, se aproveitando da ingenuidade de seu público para ficar mais famoso, ganhar dinheiro e virar mito.

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