Para satisfazer as exigências do convívio social, vale tudo. Até mesmo abrir mão da saúde. O cigarro, que em outros tempos era sinônimo de glamour, embora ele não tenha utilidade necessária, servindo apenas de uma espécie de "calmante" para alguns, sempre esteve nesta lista de exigências.
Por ser algo proibido para menores, assim como as bebidas alcoólicas, acabou ganhando o estigma de "coisa de adulto", aumentando a sua importância social. Ou seja, para uma sociedade que se recusa a amadurecer intelectualmente, fumar cigarro e beber álcool se tornaram sinais de "maturidade" para muitos jovens, que ingenuamente ignoraram, e de forma insistente, os danos que este tipo de consumo pode causar.
Muitos valores decadentes estavam ameaçados de acabar nos anos 80. Mas com a queda do muro de Berlin, o sistema capitalista, usando a cultura como arma de manipulação para impedir que o Capitalismo seja ameaçado, tratou logo de resgatar vários valores obsoletos para manter a população na inércia intelectual, impedindo-a de revolucionar.
Eis que o cigarro, responsável por 90% das mortes através de câncer e de outras doenças, retorna, não apenas para entreter pessoas irresponsáveis com a sua própria saúde como para recuperar o seu glamour e se tornar um meio de sociabilização, passando uma imagem, mesmo errada de pessoa madura e sensualmente sofisticada.
É ruim ver que jovens ignoram que o cigarro foi responsável por vitimar muita gente no passado. O câncer ainda mata muito, mas usuários de cigarro preferem fingir que não é com eles, achando que a ausência de sintomas evidentes (apesar dos pulmões apodrecidos - mas estão escondidos no corpo, ninguém vê) os faz pensar ser resistentes a qualquer mal que o cigarro possa gerar.
O consumo de cigarro recupera o seu glamour numa época onde liberdade se torna mais importante do que qualidade de vida. O identitarismo fortaleceu muito isso, além de defender a liberação de drogas ainda piores. Incluindo drogas bem pesadas.
Esquerdistas e direitistas de linhas mais progressistas acham que todos devem fazer o que quiser e condenam formas que impeçam as pessoas de terem esta suposta liberdade. Tanto em relação a religiosidade, a moradia na rua e no consumo de drogas legalizadas ou não, importa é a liberdade. Mesmo que esta liberdade custe a vida das pessoas que pensam ser livres cometendo um erro.
As indústrias de tabaco estão muito felizes. Jovens celebridades já fumam seus cigarrinhos. Ótimo para estas indústrias, que parecem não saber fazer outra coisa - poderiam mudar de ramo para algo mais saudável - ganharam excelentes garotos propaganda a fazer gratuitamente a publicidade de um hábito tão arcaico e nocivo , que já deveria ter sido extinto há tempos.
Mas assim como outras coisas obsoletas como a religiosidade, o fascismo e o próprio Capitalismo, o consumo de drogas legais ou não está de volta. Uma prova de que a humanidade não evoluiu coisa nenhuma e que o desenvolvimento tecnológico parece inútil na tentativa de fazer os seres humanos se tornarem cada vez melhores.
Como vivem dizendo, a humanidade fracassou. Pode ser que o cigarro, que no fundo não serve para outra coisa além de matar as pessoas aos poucos, acelere a extinção da espécie humana.

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