O tópico também mencionou que esses jovens bem vividos, com altas mesadas garantidas a todo mês, além das chaves de carro garantidas pelos pais afetivamente ausentes, mas distribuidores de presentes materiais, estariam, na ingenuidade deles, agindo contra o "sistema", sem saber que esses mesmos jovens são parte integrante do sistema. Ou seja, vomitando nos pratos em que comem.
Posar de rebelde atrai simpatia alheia, além de ser uma boa oportunidade de fingir de coitado e atrair mais benefícios. A insatisfação faz parte do instinto humano e para estes jovens bem vividos nada é suficiente. Eles querem sempre mais e mais. Muito mais.
Fingir de pobretões é uma excelente forma de angariar simpatia, embora seja um erro considerar esta atitude como uma rebeldia de verdade. Até porque estes jovens continuam consumindo o que o sistema oferece a elas: hobbies, bens de consumo, costumes, gírias. Ou seja, os jovens, pensando estar contra o sistema, acabam engolidos pelo próprio sistema, sem saber. Sistema controlado pelos mesmas instituições e lideranças que eles costumam falar mal.
Esta juventude pseudo-rebelde, que encontrou no identitarismo e no fingimento da pobreza uma forma de deboche e zombaria travestida de "inconformismo conscientizado" na verdade está é tentando se auto-afirmar, demonstrar empoderamento, mas sem combater de fato o sistema, mantendo intactas todas as formas de injustiça que existem espalhadas por todo o mundo real.
Resta saber se, com a chegada da maturidade, eles irão aderir a formas mais combativas de rebeldia real ou se vão abraçar os sistema, como bons yuppies acomodados a apenas curtir as coisas boas que o dinheiro, que os verdadeiros pobres que eles fingem ser não possuem, pode comprar.

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