Esses excluídos de boutique (já que os verdadeiros excluídos, pobres e pessoas sem traquejo social, continuam abandonados pela mídia e pelas autoridades) resolveram aproveitar toda e qualquer oportunidade para se imporem como novos tipos de seres humanos.
Uma dessas oportunidades são os festivais de música. Com uma gama de cantores, atores e celebridades que se assumam características identitárias, os festivais se tornaram um palco importante para o empoderamento dessa gente que em outros tempos era mal vista socialmente.
Bom lembrar que empoderamento nada tem a ver com aquisição de direitos. Empoderamento vem de poder. O próprio termo deixa claro o verdadeiro objetivo dos identitários, tomar o lugar da elite tradicional para fazer a mesma coisa que a antiga elite faziam. Tomar o poder das mesmas instituições burguesas.
A única mudança é que as novas leis serão direcionadas aos identitários (não aos menos favorecidos das mesmas classes originárias desses identitários, mas as versões bem sucedidas deles), mas sem que haja alterações significativas no modo como vivemos e nos relacionamos nem nas instituições que controlam nossos costumes.
Festivais de música onde a música é coadjuvante, quando não, figurante
Os festivais de música se tornaram bastante chatos nos últimos dois anos, por causa da intervenção dos identitários. Claro que desde que a MTV difundiu os vídeos musicais, a música aos poucos foi se tornando mais visual do que auditiva. dando mais ênfase na aparência e na chamada "atitude" (a.k.a pose). Por isso as rotulações, que nunca foram exatas, se tornaram mais confusas.
Ninguém mais presta atação nas músicas, embora cante junto com o seu intérprete favorito muito mais para declarar amor a ele do que para apreciar a suposta beleza da música. A música se tornou um mero detalhe e o que importa mesmo é usar o evento como auto-afirmação de certas classes, mas de forma exagerada, que parece mais coisa de quem quer tomar o poder do que recuperar direitos.
Os festivais, do contrário que parece, podem estar entrando em uma não assumida decadência, já que atraem um tipo de público tão variado que só aumenta o distanciamento entre os artistas e os supostos fãs, estes que só querem ver famosos para lacrar nas redes sociais e colocar um significado a sua vazia vida social.
O identitarismo só contribui ainda mais para esta decadência, já que aos poucos, cada festival se torna uma festinha particular dos grupos identitários. Como se os identitários não estivessem satisfeitos com as paradas gays, que já viraram palcos para outras formas de identitarismo. Como se os festivais fossem mais edições de paradas gays e novo paradigma de festival, espantando aqueles que não se identificam com os identitários, preferindo formas de cultura mais racionais, discretas e sem porralouquice.
O mundo dos identitários é muito chato. É um mundo dos que querem se exibir. um mundo da lacração e não da justiça social. Enquanto os identitários festejam o seu empoderamento, muita gente solitária ou miserável (ou as duas coisas juntas) segue sem ter um horizonte, preferindo suportar os seus incuráveis problemas em silêncio, sem qualquer perspectiva de ajuda,abandonada pelas autoridades hipnotizadas pela colorida e bem iluminada festa identitária.
Pode ser que no poder, os identitários se tornem uma elite ainda mais gananciosa e autoritária. Pois, ela tem motivos de sobra para se vingar. Motivos justos, é verdade, mas que podem atingir vítimas injustas. Depois da eufórica alegria da festa identitária, a tristeza das injustiças que se mantém, apenas com a mudança de vítimas. Quem viver, chorará.

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