domingo, 7 de abril de 2013

As três maiores zonas de conforto do brasileiro

Brasileiro parece criança. Nas horas livres em que não está trabalhando, prefere se iludir e obedecer cegamente as regras sociais. Pudera, já que com uma carga de trabalho altíssima (oito horas diárias) recebendo ordens, que acaba criando um mau costume e acaba querendo obedecer ordens também nas horas de lazer. A liberdade é um benefício muito mal aproveitado pelos brasileiros.

O legal (para eles) que os maiores anseios do brasileiro, religião, futebol e bebidas alcoólicas, por mais diferentes que sejam, fazem o mesmo efeito na hora de fugir da realidade cheia de problemas que a população brasileira se recusa a resolver, por medo, preguiça ou simplesmente por acomodação. Até porque a maioria dos brasileiros entende que a inteligência só serve para ser utilizada nas horas de trabalho e de estudo, atrofiando o precioso cperebro nas horas livres.

Isso é bom para a manutenção dos interesses que regem o sistema e seus líderes, já que a alienação, a incapacidade de decidir as coisas após análise e contestação, entregando a capacidade de raciocínio a terceiros, tem mantido a sociedade brasileira numa essência que dura mais de 80 anos. Neste período, mudamos muito pouco, somente a tecnologia e um e outro costume. De resto ainda somos os mesmos.

E esta estagnação garantida pelas crenças religiosas, pelo fanatismo futebolístico e pelo consumo de álcool, todas, sem exceção, ilusões que servem para desviar grandes populações da realidade, como verdadeiros ópios, tem impedido que poderosos caiam e que problemas sejam resolvidos. Já repararam que somos incapazes de resolver os problemas cotidianos? Mesmo sabendo que sendo uma gigantesca multidão, poderemos derrubar líderes, políticos e Grandes Empresários, todos os maiores interessados que tudo fique como está?

Mas é este o medo. Somos muitos. Talvez o medo de uma imensurável massa de insatisfeitos possa derrubar sedes do poder político e econômico tenha levado aos poderosos se aliarem a mídia e criarem um meio de regular as regras sociais para que essa imensa massa fique imobilizada, não se una e não se rebele contra os problemas insolúveis que fazem a alegria de poderosos. 

Por isso mesmo que a mídia hoje, não é só a difusora de costumes, como é também a sua reguladora, controlando a maneira de agir da sociedade, impondo costumes, gostos, ideias e opiniões. E com ela, o papel alucinante da religião, do futebol e do álcool se tornaram definitivos para que a população nunca tente se rebelar contra os donos do poder. E como isso funciona.

 A religião, transformando a fé em qualidade, força a crença em fatos e seres fictícios, além de dar uma definição distorcida de moral, forçando a humanidade a acreditar que seres sem existência comprovada resolvam os problemas que não querem resolver. A religião estimula o medo de Deus, ficticiosamente transformado em um legislador rígido e cruel, que deve ser idolatrado e que sem essa crença e nos absurdos e contradições das religiões, não se pode haver moral. Qualé? Moral nada tem a ver com religião! tem a ver com a consciência de que vivemos em um mesmo planeta e que devemos lutar pelo bem estar de todos e não de alguns. mas isso as religiões não falam, não é, já que querem apenas o bem estar dos seguidores de religião X, outros a de religião Y e por aí vai.

Se o futebol fosse visto como uma mera forma de lazer e nada além disso, seria salutar. Mas não é isso que acontece, pois o mesmo é excessivamente levado a sério. O futebol, além de no Brasil ser considerado dever cívico e social, glamoriza a competitividade, transformando em virtude o desejo de impedir o bem estar alheio. A transformação de uma simples forma de lazer em obrigação também tem um objetivo de desviar o foco, já que crendo que o futebol é "importante" para a nação, coisas realmente importantes são deixadas de lado. E o mais incrível: tem gente que acha mais eficiente melhorar o país se unindo em prol de um simples resultado de um jogo do que, por exemplo, invadir o congresso e tirar de lá os caras que nos traíram. Quanta  ignorância!

E o álcool? Quem entende do mal que algumas substâncias fazem ao organismo, sabe muito bem que o álcool, além de tirar a pessoa de seu controle absoluto durante alguns momentos, é capaz de matar neurônios, deixando o bebedor assíduo com a capacidade de discernimento diminuída e o senso crítico danificado. Qualquer tipo de bebida alcoólica é um excelente meio de imobilização social e isso tem feito com que as regras sociais consagrassem tipos de bebidas alcoólicas para cada evento social, de maneira obrigatória. Como o futebol, beber álcool é considerado um dever social, com a diferença que seu consumo é liberado em casos de doença ou por algumas religiões. Mas quem se recusa de maneira voluntária, é socialmente advertido e em muitos casos, excluído da sociedade, perdendo os benefícios que só se pode ser conseguidos coletivamente, com a ajuda de outras pessoas.

Interessante que nos três casos, além de serem de fato formas de desviar a sociedade da realidade, em todos há o caráter de obrigação social, impondo ao convívio salutar com outras pessoas a adesão a essas ilusões que nada tem feito de positivo para a evolução das pessoas, além de manter a sociedade intelectualmente atrofiada, acomodada com os problemas que estamos cansados de ver e que continuam a toda velocidade torrando a nossa paciência e arruinando as nossas vidas. 

Vidas incapazes de serem consertadas pelas ilusões das religiões, do futebol e das bebidas alcoólicas, que na prática só servem como fuga da realidade: que sempre volta feia, triste e cruel para nos impedir de sermos realmente felizes.

Enquanto não nos livrarmos dessas zonas de conforto, fugas típicas de nossa imaturidade enrustida, não nos amadureceremos e ficaremos aí esperando que a felicidade permaneça em apenas alguns minutos de ilusão para que depois a realidade sempre volte até nós para nos lembrar da insistente existência dos problemas nunca resolvidos.

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