terça-feira, 9 de abril de 2013

Tenho vergonha da minha geração

 Pertenço à uma geração nascida entre 1968 e 1977. Não consegui as conquistas profissionais e afetivas dos indivíduos dessa faixa etária, mas também não cometi os seus erros.

A geração 1968-1977 chegou à vida adulta meio apressada. Queriam casar logo, trabalhar logo e ter filhos logo. Costumam se divertir em bares (álcool, destruidos de células cerebrais, é a bebida sagrada deles, sobretudo a cerveja, que é bastante popular, embora tenha gosto ruim. Tá na cara que eles bebem como obrigação social), costumam ser submissos a regras sociais e nada fazem para melhorar as suas vidas e a da sociedade, pois desprezam a existência de injustiças e erros de todos os tipos. No lazer só se divertem acompanhados. Só gostam de coisas populares, tanto no esporte, na música e nas atividades de lazer. Se não conhecem alguém que goste de determinada coisa, logo descartam esta coisa.

São egoístas. Ou melhor, egocêntricos. "Eu estou bem, pra que me preocupar com os outros?" é o lema deles. Também são interesseiros. Amigos, só aqueles que conhecem há muitos anos e/ou aqueles que possam oferecer um ganho material. Colocam a culpa de não firmarem contato com os amigos no emprego. Quem mandou aceitar a estressante carga horária de 8 horas por dia (o ideal deveria ser no máximo 5 horas diárias), outro consagrado erro da vida adulta? Se há estresse no trabalho, é porque algo está errado. Ao invés de reivindicar a redução da jornada (sem prejuízo no salário), preferem aceitar de cara zangada o que o sistema impôs de errado, sem contestar. "Faz parte da vida adulta", dizem, comodamente.

Odeiam ouvir críticas (muitos vão querer me matar depois de lerem esse texto) e são muito arrogantes, a ponto de mutos homens medíocres se esconderem em empregos prestigiados, sobretudo os que usam terno-e-gravata como uniforme, para compensar a falta de personalidade e de caráter. As mulheres querem casar, ter filhos, casar, ter filhos * e só se casam com um banal que possa dar dinheiro e carro, sabe-se-lá pra quê.

Quando casam é uma infelicidade. cada um para o seu canto. Os homens só conseguindo fazer duas coisas: assistir futebol e tomar cerveja, as duas coisas juntas ou separadas. As mulheres torrando dinheiro (de seus maridos) em compras inúteis, sobretudo de roupas (elas querem melhorar visualmente o que não conseguem melhorar em suas personalidades) e vivem mudando de penteado o tempo todo. Não seria melhor mudar de marido? Quando se separam, o que é muito difícil, o relacionamento seguinte quase sempre é com um homem com os mesmos defeitos do anterior. E da-lhe futebol e cerveja e só.

Essa geração infeliz está chegando aos 40 anos, início do envelhecimento físico. Doenças atacando, rugas aparecendo, graças às caras amarradas resultantes de muitos erros cometidos numa péssima entrada na vida adulta. Muitos morrerão cedo, graças ao culto teimoso às bebidas e à má vida em bares, "templos" onde os infelizes se encontram para tentar fugir (e não conseguir) da realidade mais infeliz ainda. Até porque gente com coerência é algo que não se encontra em nenhum bar. Mais fácil encontrar pessoas legais em bibliotecas.

Essa geração com certeza vai ser de velhos ranzinzas e infantilizados ao mesmo tempo, tentando ser felizes com a infelicidade que escolheram, graças a sua falta de humildade e bom-senso.

Algo que não vai acontecer comigo. Rebeldemente, não segui as suas regras sociais, algo que no início pareceu um erro, pois me prejudiquei afetivamente e profissionalmente. Mas agora vejo que foi melhor assim, pois não estava preparado psicologicamente para taís "conquistas".

Era melhor que as outras pessoas tivessem, como eu, retardado suas conquistas. Seriam pessoas melhores agora e as regras sociais (todos acham certo aquilo que a maioria defende) seriam outras, mais flexíveis, mais justas, pois, adiando suas conquistas, eles seriam menos exigentes com a velocidade do tempo. É uma provade que a "pressa é inimiga da perfeição", como diz o ditado popular.

Hoje, me sinto mais preparado para a vida adulta. menos vulnerável aos erros que o estilo de vida da minha faixa etária vive cometendo e induzindo todos a cometer. Devemos sempre ter coerência e desobedecer certas regras quando elas parecem erradas. Até porque nenhuma das regras sociais estão escritas na Constituição Federal.

Foi uma desobediência que me levou ao acerto. Sei que os meus colegas de geração, ainda submissos às regras socais, sobretudo as erradas, não irão entender esse texto. Talvez irão, quando as forças físicas e a aparência enrrugada cobrarem o preço de seus erros cometidos no início da vida adulta. Aí, eu, que chorei no início, por não estabilizado "na hora certa" a vida afetiva e a vida profissional, darei a minha mais gostosa gargalhada, por não ter compactuado com a decadente vida adulta imposta e seguida pela geração 1968-1977.

"Ri melhor quem ri por último", dizem os sábios. E, colegas de geração, um recado: descansem em paz. Se continuarem assim, vocês não vão durar muito.

*Repetição proposital.

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