Virou bordão-padrão, repetido como mantra: toda vez que alguém critica alguma bobagem feita por um integrante ou pela população pobre, é chamado de preconceituoso. Meu amigo, onde está o preconceito?
Preconceito significa criticar sem conhecer. Mas como ser preconceito se estamos carecas de saber o que a população pobre, tradicionalmente mal escolarizada e estimulada pela mídia a não desenvolver seu intelecto, faz de ridículo? Claro que não vamos generalizar, há gente pobre fazendo coisas nobres. Mas a eles daremos o nome de exceção.
Será que a ficha não caiu que toda vez que damos um microfone para uma pessoa mal escolarizada ou priorizamos a sua presença na mídia, que a cultura sempre piora, aparecendo coisas claramente ridículas que demonstram claramente a escassez de intelecto? Ou ser burro virou nova forma de inteligência?
Mas todos se esquecem que quando criticamos, na verdade estamos alertando sobre esse erro, tentando empurrar o povo pobre para uma melhoria intelectual. Se eles se aborrecem com as críticas é porque falta auto-conhecimento e senso do ridículo, certamente resultantes da ignorância que insistem em manter.
O povo pobre não é incapaz de se intelectualizar. pelo contrário. Se quiser, pode avançar mais do que as elites, pois tem conhecimento prático de tudo que está errado em seu cotidiano. Mas esse é o medo da elite, o que faz com que esta, controladora dos meios de comunicação, estimule essa burrice que amordaça.
E justamente esta falta de interesse estimulada pela grande mídia que faz com que os pobres prefiram posar de ofendidos do que aceitar uma crítica e corrigir seus erros. Será que nem com a internet eles conseguem se livrar do estigma de "povo burro" que a sua ignorância voluntária e insistente lhes atribuí?
Se o povo pobre fosse realmente sábio, teríamos uma cultura mais rica, livre da ridicularização. Um Tom Jobim da Favela da Maré? Um Glauber Rocha do Morro do Alemão? Um Carlos Drummond de Andrade da Rocinha? A Orquestra Sinfônica do Morro do Vidigal? Porque não?
Sei que é mais fácil para qualquer um posar de ofendido do que se livrar dos valores falsamente positivos que não passam de uma ilusória zona de conforto. Pois para se intelectualizar, é exigido muito mais esforço do que o simples ato de ir a escola ou a faculdade. Se intelectualizar significa romper com muitos valores, inclusive muitos consagrados como "positivos", já que não passam de mera ilusão a entreter quem tem medo ou preguiça de resolver os problemas.
Na próxima vez que algum pobre for criticado, evite a palavra preconceito (quem critica conhece as suas falhas) e pare de posar de ofendido. Encare a crítica como um alerta de mudança de atitude e aja como uma pessoa que abandona os brinquedos da infância: amadureça e dispa-se de suas ilusões. Se quer mandar na cultura mostre realmente que tem cultura, não isso aí que estamos cansados de ver.

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