Ninguém falou, mas pode ter gerado um mal entendido todas as vezes que falo ou escrevo sobre o "funk" carioca, dando a entender que falei mal de pobre. Não falei. O que critico é o que a mídia e autoridades fazem com o povo pobre.Os ricos que controlam a mídia e a política, sabem muito bem que o povo pobre é um povo naturalmente subversivo, pois sua vida é péssima devido à falta de renda que impeça qualquer pobre de ter uma vida digna. Eles sabem também que a educação é uma arma poderosa na mão do povo pobre, pois povo educado é povo esclarecido e povo esclarecido não é manobrado. E ainda pode tirar os ricos do poder. Obviamente, os ricos não querem um povo pobre educado. Então eles tem que tomar uma atitude para que os pobres continuem burros e grosseiros para que fiquem "satisfeitos" com sua má qualidade de vida.
Primeiro, limita-se a educação aquela exclusivamente técnica, visando o mercado de trabalho. Extingue-se matérias esclarecedoras como OSPB e Moral-e-Cívica, que podem "fabricar" subversivos e para piorar, priorizam o esporte como forma de manter o pobre ocupado. Complementando, na mídia, procura-se criar um falso folclore se utilizando do popularesco (axé, pagode, "sertanejo", "funk" e forró-brega), para que o pobre pense que está sendo valorizado e que não tenha acesso à cultura de verdade, que pode esclarecer. Tudo é feito para que o pobre permaneça no marasmo e na alienação para que não reivindique seus direitos.
Aí os ricos ficam tranquilos. Não precisam distribuir renda, não precisam melhorar a qualidade dos serviços públicos e o povo pobre que se dane. Enquanto isso, um pobrezinho é convidado para empinar sua bunda na frente das câmeras e os telespectadores acham maravilhoso, como quem vê um macaquinho fazendo piruetas no zoológico. E a classe média pensando que desse modo, está valorizando o pobre.
Fico triste em saber que a classe oprimida seja tratada como micos de zoológico. Isso sim é que é desrespeito, pois o pobre não está sendo alegre com essa manipulação de sua cultura. Essa alegria é falsa, pois ninguém fica alegre vendo faltar todo dia um prato de comida e ouvindo os outros dizerem "não" o tempo todo.Assim como fizeram com os índios, que tinham a sua própria civilização, destruída pela "civilização" de pedra do homem branco, o mesmo está sendo feito com os pobres, empurrando goela abaixo o popularesco e valores culturais e morais de caráter duvidoso, e tirando a dignidade do povo pobre, que é jogada no lixo.
Torço para que os pobres possam se esforçar por conta própria e se educarem, mesmo não tendo acesso a uma educação de qualidade. Que eles corram atrás de bons livros (existem edições de livros importantes em pocket book que custam até R$15) e que se divorciem da mídia oficial sobretudo FMs e TVs abertas. Que o povo pobre, finalmente educado, possa lutar para recuperar sua dignidade perdida e possa ter acesso a uma vida de excelente qualidade. É um direito deles, que eles só vão saber, após serem realmente bem-educados.--------------------------------------------------------
PS: não existe orgulho nenhum em viver em uma favela. Se sentir feliz em sofrer é coisa de otário, é masoquismo e ignorância . Aquela letra de "funk" que fala do orgulho de "morar na favela em que eu nasci", é de uma alienação imensurável. Deve ter sido composta por gente a mando dos ricos, para criar uma falsa satisfação no povo pobre. Favela é um lugar provisório, de quem não tem condições de pagar por uma caríssima moradia (casa comum - aluguel: mínimo de R$200, compra,: mínimo de 60.000).
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