Ontem eu estava tirando uma agradável sesta após o almoço. Ao acordar, meu irmão me chama para dar uma notícia muito triste: o falecimento de um dos maiores compositores da história da música, Lou Reed, líder da lendária e eterna banda Velvet Underground, uma banda americana que, junto com os Beach Boys e o The Doors, colocaram os EUA no mapa da psicodelia dos anos 60, em meio ao domínio de centenas de nomes ingleses na época.
Até a conclusão deste texto não foi informada a causa da morte dele, mas foi informado que Reed passou por um transplante de fígado, o que leva a crer que a mortetem a ver com isso.
Uma grande perda, não só para ou rock ou para a música, mas para a cultura como um todo
Reed fará muita falta. Digo isso sem o sentimentalismo bobo, comum hoje em dia, de exaltar todo ídolo morto, como se todos os que morrem, sobretudo os medíocres, virassem gênios. O trabalho deixado por Reed é extremamente rico e peculiar. Nenhum compositor até agora conseguiu dizer, com notável beleza poética e musical, sobre a realidade do submundo mais excluído da sociedade nova-iorquina. Reed queria falar da Nova York esquecida pela famosa canção gravada por Sinatra.
Reed falava dos excluídos da capital cultural do mundo. Marginais, prostitutas, drogados, doentes terminais, solitários e até mesmo os nerds, foram lembrados por Reed que narrava histórias bem "cabeludas" com uma inacreditável beleza e sensibilidade. Literalmente não houve outro compositor com a coragem e o talento para narrar desta forma episódios cotidianos tão degradantes na forma de uma arte única e superior. Com ele, vai junto essa capacidade.
Sem referências, mediocridade vira "genialidade"
É dolorido que morra alguém tão talentoso como Reed numa época de franca degradação cultural, com criadores cada vez mais medíocres e alienados, muito mais preocupados em mostrar seus corpos através de coreografias inúteis do que criar uma cultura que use a dignidade para falar sobre o que acontece ao nosso redor.
Ao morrer nomes como Reed, ficamos sem referências. Provavelmente dirão: "mas os rappers de hoje falam da realidade dos guetos de Nova York". Pura falta de informação. Estude inglês, leia as biografias dos intérpretes de hoje e veja se entre esses rappers existe alguém disposto e capaz de fazer o que Reed fazia, com a mesma qualidade. Óbvio que não.
Sem referências, começamos a achar que tudo isso que está aí na música é "genial", por pensar que a mídia só dá espaço para quem é "genial", algo que há mais de 20 anos não acontece mais. Se destacar na mídia não faz de ninguém um gênio, se é incapaz de criar coisas geniais.
Resta dizer que estamos tristes pela morte de Reed. Não pela pessoa apenas, pois a morte também faz parte da vida. Mas por saber que por morrer alguém tão peculiar e com capacidade de criar obras tão ricas, algo longe da capacidade da maioria, ficamos órfãos e cada vez mais carentes de uma forma de cultura que possa nos dizer algo mais realista, sem necessitar de coreografias tolas a nos desviar o foco de assuntos mais relevantes.

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