Nos últimos 20 amos, nota-se uma divisão de funções na sociedade, meio estranha para as pretensões democráticas que pensamos seguir.
Quando são envolvidas leis, assuntos sérios, coisas que interferem de modo severo em nosso cotidiano, como infra-estrutura, segurança, etc., as decisões são de responsabilidade dos ticos e graduados, gente que usa terno e gravata como uniforme e que se acha entendido de tudo que acontece na sociedade, embora vivam trancafiados em seus refrigerados escritórios, conhecendo as mínimas coisas "de ouvir falar", sem passar de fato pela experiência cotidiana do resto da população.
Enquanto isso, na parte lúdica e educacional, incluindo a cultura, as rédeas foram entregues aos pobres e os mal escolarizados. Pessoas que mal sabe quem eles são se meteram a conduzir a mentalidade do resto da população, impondo gostos, ideias, costumes e invadindo sem competência as artes, os esportes e a vida acadêmica, desestimulando o discernimento e impedindo o senso crítico, além de exaltar o consumismo como objetivo final de toda a sociedade.
Essa divisão de funções tem se mostrado nociva em nossa sociedade, pois tanto e um caso, como em outro, a competência é entregue a quem justamente não tem o preparo prático para exercer de maneira qualitativa a função entregada.
Mas aí em imaginei: e se fosse o contrário? Não seria melhor? Os ricos e/ou graduados são muito mais preparados culturalmente e poderiam influenciar mentalmente a sociedade para um avanço intelectual! Enquanto os pobres, cientes dos problemas reais que a sociedade vive, teriam muito mais condições de fazer leis mais justas, gerenciar governos e isso serviria de oportunidade de evolução intelectual, já que a busca de soluções para os problemas iria ajudar a desenvolver o discernimento.
Que tal refletirmos um pouco mais sobre isso? Não teríamos um mundo mais justo e inteligente, longe dessa onda de mediocrização generalizada que vivemos em nosso país, onde estamos muito mais preocupados em evoluir na aparência enquanto a nossa capacidade intelectual cada vez mais se atrofia? Pensemos nisso.

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