Hoje completam 30 anos do lançamento de The Dream of The Blue Turtles, o álbum que oficializou a carreira solo de Sting, então líder de uma das melhores bandas de todos os tempos, The Police.
Eu tive a felicidade de comprar este álbum na época em vinil e cheguei a ter em CD, mas perdi na mudança de Salvador para Niterói. Pretendo readquiri-lo. Este fato me dá credibilidade e autoridade para dar minha impressão sobre o álbum.
Eu tive a felicidade de comprar este álbum na época em vinil e cheguei a ter em CD, mas perdi na mudança de Salvador para Niterói. Pretendo readquiri-lo. Este fato me dá credibilidade e autoridade para dar minha impressão sobre o álbum.
É com certeza o melhor álbum solo de Sting, que como ele mesmo havia assumido, estava perdendo a criatividade na hora de compor. O trabalho seguinte Bring On The Night (1986) manteve o nível alto do álbum de estreia(até porque registra trechos da turne de divulgação de "Blue Turtles". Nothing Like The Sun (1987) ainda é muito bom, mas nota-se uma pequena queda, sendo um álbum um tanto sisudo. De Soul Cages (1991) em diante, a carreira solo desandou, com poucos momentos bons e nada do Sting dos tempos de Police.
De uns anos para cá, ele tem se envolvido com música erudita e tem lançado álbuns com músicas inspiradas em tempos barrocos e elizabethanos, que mesmo vocais, nada tem a ver com ópera. Digo isso porque para a maioria, música erudita com vocal é sinônimo de ópera, o que não é verdade. A música erudita tem inúmeras vertentes, bem diferentes umas das outras.
Estreando solo com um álbum que nasce clássico
Mas vamos ao álbum de 1985, que é o que interessa. The Dream of The Blue Turtles, cujo título foi inspirado em um sonho (e acabou batizando a mega-giga-ultra-banda de apoio) é um álbum perfeito, sem maus momentos. Apesar da mudança radical de sonoridade, que estranhou os fãs do Police na época, apesar de não os ter decepcionado, Sting (nascido Gordon Sumner, apelidado com Sting após levar uma picada de uma abelha enquanto ensaiava, curiosamente em uma banda de jazz, antes da fundação do Police) estava inspiradíssimo.
O álbum abre com If You Love Somebody Set Them Free, justamente a faixa de trabalho para lançar o álbum. Ela é uma resposta aos que acusaram o compositor de fazer apologia ao amor possessivo no maior hit do Police, Every Breath You Take. Foi como se ele estivesse mudando de postura.
Segue com o reggae fofinho Love is The Seventh Wave, que inclui um trecho da citada música do Police no final da música. Sting havia feito a mesma coisa em O My God de Synchronicity, incluindo trecho de Every Little Thing She does is Magic em uma música que já é uma colagem de várias letras de músicas obscuras do Police (nunca gravadas em álbuns).
Segue a música mais bela do álbum, Russians, tentando entender a guerra fria sob o ponto de vista de ambos os lados, o dos ianques e o dos russos. A melodia do inspirada em uma obra erudita escrita pelo compositor russo Sergei Prokofiev, Lieutenant Kijé. O compositor não creditado na autoria, apenas no texto que ilustra a contracapa, informando sobre a inspiração para Russians. Daí pode ter nascido o interesse de Sting em se envolver com musica erudita, concretizado muitos anos depois.
Há também outro belo momento, Children's Crusade, sobre exploração de crianças, seguida da regravação de uma faixa do álbum do Police de 1980, Shadows in The Rain, que aqui aparece bem descaracterizada, embora reconhecível. De uma soturna balada melancólica virou um alegre pop-jazz.
O álbum segue com We Work The Black Seam, belíssima, que na versão do álbum Bring on The Night é ainda mais emocionante.
Depois vem as jazzísticas Consider me gone e a faixa-título, esta instrumental, mas como se fosse uma espécie de trilha sonora para o sonho de Sting, onde via seu jardim atacado por gigantescas tartarugas azuis.
Completando a suíte jazzística, tem a triste e bela Moon Over Bourbon Street, que segue o estilo das primeiras canções de jazz. Embora triste, Sting costuma injetar humor à música, uivando no final. Nos últimos shows Sting tem cantado um trecho da música imitando a voz de Louis Armstrong. Ficou estranho, não gostei. Mas o cantor quis fazer gracinha com a faixa, decisão dele.
O álbum se encerra com a romântica Fortress Around Your Heart, encerrando um álbum belíssimo (desde a bela capa, com excelente trabalho gráfico de Michael Ross and Richard Frankel, com fotos de Max Vadukul and Danny Quatrochi), que mostra o compositor no auge e que conta com verdadeiras feras do jazz na banda de acompanhamento, todos com vasta experiência na época. Sinta só que equipe:
Omar Hakim – drums
Darryl Jones – bass guitar
Kenny Kirkland – keyboards
Branford Marsalis – saxophones, miscellaneous percussion
Dollette McDonald – backing vocals
Janice Pendarvis – backing vocals
O álbum ainda contou com participação do reggae-man Eddy Grant tocando percussão (sim, aquele mesmo de Electric Avenue) em Consider me Gone, parentes do cantor e o co-produtor do album, Pete Smith nos vocais de apoio.
The Dream of The Blue Turtles é um álbum que recomendo a odos que gostam de boa música. E mostra Sting em seu auge criativo, antes da indesejável decadência que atacou o grande compositor do Police ao passar dos anos.


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