Em tese, a escravidão acabou. Mas na prática ela continua, ganhando apenas contornos mais suaves. Se a escravidão como era antes não voltou é por causa das leis que a impedem e não do "bom mocismo" dos excludentes donos dos meios de produção. Para grande maioria dos empresários brasileiros (há escassas exceções), a escravidão é coisa boa sim!
A maioria dos empresários brasileiros e digo grande maioria, é a favor da escravidão, que permite que se pague menos - ou nem pague - pela mão de obra que acaba saindo bem barata. O Brasil é um dos países com mão de obra mais barata do mundo, só perdendo para países subdesenvolvidos. Esta é a principal razão que estimula a instalação em massa de muitas empresas estrangeiras que criam suas filiais em terras brasileiras.
Um fato que pode comprovar o interesse escravista do empresariado brasileiro é o salário pago às funções mais básicas. Estas funções são remuneradas com o salário mínimo, que na realidade está muito aquém do que o bom senso define como dignidade humana. Receber como salário um valor inferior ao digno já é por si só uma escravidão remunerada.
Para se ter uma ideia, o salário mínimo atual não permite que uma pessoa possa ter direito a moradia. O aluguel mais barato consome cerca de 90% do salário mínimo, na melhor das hipóteses, o que significa que o trabalhador teria que sacrificar as outras necessidades para se estabilizar embaixo de um teto.
Houve um relato de um funcionário de uma empresa da baixada que morava na rua porque não tinha condições de ter um imóvel alugado, por menor que seja. Mesmo morando na rua, chegava assiduamente e pontualmente ao trabalho após tomar banho em um bar próximo da marquise onde dormia. Mas me digam se isso pode ser classificado como "dignidade".
Para o empresariado, sempre é bom ganhar mais gastando menos. Para os donos do meios de produção, funcionários não são pessoas e sim equipamentos a serem adquiridos. Quanto mais barato, melhor. Se pudessem adquirir de graça esse esquipamento, melhor ainda. Só não o fazem porque a lei impede. Mesmo assim, há empresários mais ousados a desafiar as leis e contratar sem remuneração, de forma clandestina.
Mas boa parte prefere mesmo é pagar o salário mínimo. Na verdade, o salário mínimo deveria ser apenas uma base de cálculos e não a remuneração mínima. O salário minimo deveria na verdade ser QUATRO vezes maior que o salário mínimo na sua forma LÍQUIDA (o que chega como dinheiro vivo nas mãos do trabalhador). Graças ao salário BRUTO (encargos + dinheiro), há casos em que o trabalhador tem que se virar em um mês inteiro com apenas 20 reais em dinheiro vivo nas suas mãos. Cruel, não acham?
Argumentam os empresários que não possuem condições de pagar salário digno a seus funcionários. Então, meus amigos, porque vocês abrem uma empresa? Vocês não gostam de funcionários incompetentes, porque vocês continuam agindo como EMPRESÁRIOS INCOMPETENTES? Se não têm condições de pagar melhor seus funcionários, eu digo a vocês a mesma frase que vocês dizem aos seus sub-alternos: SE VIREM!
Em épocas de direitismo explícito e transformação do empresariado em "classe heroica e altruísta", é bom revelarmos o lado triste do sistema Capitalista. Se depender da vontade do empresariado, as leis anti-escravidão acabam e os donos dos meios de produção poderão lucrar muito praticamente sem pagar nada, o que seria bom para aumentar o padrão de vida deles. Afinal, funcionários são somente máquinas. Se não servir, joga-se fora (demissão).

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