A julgar pelas mudanças nos ônibus da Zona Norte e da Zona Sul no Rio de Janeiro, a Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) simplesmente teria vetado a parceria de Antônio Carlos Jobim e Vinícius de Moraes nas zonas boêmias de Ipanema. Portanto, "Garota de Ipanema" não teria existido, se fosse feita hoje.
Se fosse hoje, Tom Jobim, por ser tijucano, teria que combinar o encontro com o ilustre parceiro em algum bar da Av. Pres. Vargas, porque a ligação entre Tijuca e Ipanema agora é só com a incômoda baldeação de ônibus superlotados.
Os tecnocratas da SMTR até sugeririam que a dupla compusesse "Garota do Castelo", citando o Palácio Gustavo Capanema, mas para ir da Candelária, onde param as linhas de ônibus da Zona Norte, para o referido prédio histórico, são muitos quarteirões, praticamente uma peregrinação para os padrões de artistas boêmios cariocas.
Eles teriam feito, portanto, "Garota da Candelária", para tentar resolver a situação, e imaginamos que a letra seria justamente assim:
Garota da Candelária
Olha que coisa mais linda
Mais cheia de graça
É ela menina
Que vem e que passa
Num doce balanço
Na avenida (1) a andar.
Moça do corpo dourado
Do Centro em problemas
O seu balançado é o único poema
Que vindo da Central eu já vi passar
Ah, por que estou tão sozinho?
Ah, por que tudo é tão triste?
Ah, a violência que existe
A Zona Sul não é só minha
A integração (2) sempre passa cheinha
Ah, se ela soubesse
Que quando ela passa
O Centro do Rio se enche de graça
E fica mais lindo
Por causa do amor.
(1) Av. Pres. Vargas.
(2) Linhas de ônibus integradas Centro X Zona Sul.

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