Uma verdadeira polêmica tem acontecido entre as celebridades americanas. Muitas celebridades negras, e algumas não-negras, tem reclamado da falta de atores negros nos indicados ao Oscar deste ano. É uma polêmica e tanto, que foi reforçada pela adesão de uma dos membros da academia que oferece a premiação, que concordou com a reivindicação.
Mas faltou esclarecer algumas coisas, apesar da causa ser justa. Primeiro: a academia deu sinais de que não é racista. Já premiou negros e muitos destes participam das apresentações, inclusive como anfitriões do evento, e fazem com sucesso e talento. Segundo: o Oscar é um prêmio da indústria para o que ela entende como talento (não vamos entrar no mérito disso para não desviar do foco - falei isso em outras oportunidades e falarei quando for conveniente).
Ou seja, as pessoas são premiadas elo seu talento e não pela sua cor de pele. Se não houve negros indicados é porque os votantes não viram negros em papéis que considerassem de destaque em obras de 2015.
Não creio que a falta de negros na indicação deste ano signifique racismo. Até porque seria estranho criar um sistema de cotas para negro no Oscar ou criar uma categoria "melhor ator negro", o que parar mim seria sim uma forma de racismo. Já existe uma premiação para negros, a BET Awards (Black Entertainment Television, fazendo trocadilho com o verbo "to bet", apostar), seguindo a ideologia "separados, mas iguais", ainda existente nos EUA.
Na verdade negros e pessoas de qualquer etnia nunca deveriam ser tratados de forma diferente dos brancos, nem para pior, nem para melhor. Somos todos humanos e merecemos os mesmos tipos de direitos. Tratar etnias menos prestigiadas como se fossem sub-humanos é crueldade e é um fato que deveria ter desaparecido há muito tempo. Se ainda continua, é porque ainda estamos bem atrasados, ainda aprendendo a ser gente. E quem escreve esta postagem é um mestiço bisneto de negros.
Mas quanto ao Oscar ter ou não negros, o que importa é o talento e a capacidade de atrair gente para as salas de exibição. Há uma gigantesca quantidade de negros que são talentosíssimos e muitos consagrados e de reputação solida e incontestável. Cabem a diretores colocarem-os em papéis marcantes para que possam ser indicados ao prêmio. Creio que é esta a atitude a ser tomada.

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