Além de ser uma mulher lindíssima, simpática, charmosa e deliciosa, Drew Barrymore demonstra também ser uma pessoa super sensata e super legal. Uma mulher que eu gostaria muito de ter como companheira.Ela declarou há cinco anos que não há mal algum em estar sozinha. De lá para cá, ela se casou, teve filhos e recentemente retomou a solteirice. Ela afirmou que se estivesse com uma pessoa errada, aí sim que seria um problema. Concordo plenamente.
Nunca namorei sério na vida, apesar de ser um quarentão (tenho 45 anos, cinco a mais que a citada atriz). As pessoas não entendem isso e várias delas, ao tomar conhecimento deste fato, me colocam rótulos ofensivos e caluniosos, com referencias a características que eu não tenho. Gente que não passou pelo que eu passei.
Acontece que nunca encontrei alguém legal para me envolver. Quer dizer, encontrei, mas na adolescência. Mas quando eu era adolescente era muito imaturo. Não dava para ter um relacionamento sério com ninguém. Não estava preparado.
Mas quando eu amadureci, as oportunidades foram se escasseando, já que vivemos no Brasil, onde as mulheres são educadas para casar. As mulheres da minha geração tiveram a (in) feliz ideia de se casarem com pressa, com o primeiro "profissionalmente resolvido" que encontraram pela frente. Fiquei sem direito de escolher namorada. Por isso, fiz o mesmo, aceitei quem me aceitava e fui tentar ser (in) feliz durante o namoro. Consegui ser infeliz.
Foram vários namoros mal-sucedidos. Não vou ficar detalhando os motivos dos insucessos, mas sendo direto, digo que se eu pudesse ter escolhido namorada, nunca seria com nenhuma que eu namorei. As que eu realmente gostava e que tinham uma personalidade que combinasse com a minha estavam unidas com verdadeiros maridos e/ou namorados babacas, que só conseguem sentir se excitar por copos de cerveja e pernas de jogadores de futebol. Mas como eles estavam "feitos na vida"...
Hoje eu sinto que é complicado para pensar em uma vida afetiva estável. Me sinto velho. Ah, mas aí vão aparecer engraçadinhos dizendo "mas nunca é tarde para ser feliz". Quem quer casar tarde, que case, nada tenho a ver com a vida dos outros. Eu falo dos meus projetos de vida, nada mais.
As mulheres hoje em dia estão muito confusas, não sabem o que querem. Parece que o objetivo de vida delas se resume a noitadas, roupas caras e filhos. Isto é, nada a ver com meu jeito de ser. Está cada vez mais difícil arrumar alguém com capacidade de me fazer feliz. Até daria, se muitos homens tivessem a feliz e heroica ideia de se suicidarem. Normalmente as mulheres que combinam comigo estão em relacionamentos estáveis com homens que não combinam com elas.
Tenho absoluta certeza que não tenho direito de escolher namorada, porque as mulheres tem tido facilidade de escolher homem. Se a quantidade de homens fosse drasticamente menor, sobretudo nas classes médias e altas*, as mulheres poderiam me aceitar. Eu tenho a consciência que nos (pré-históricos) critérios de provedor/protetor, utilizados cada vez mais, por incrível que pareça, pelas mulheres mais cultas e de classe, eu deixo bastante a desejar.
Sou excelente companheiro, inteligente, carinhoso e bem-humorado, mas além de não ser rico, sou baixinho e considerado fracote. A diminuição de concorrentes me ajudaria muito.
Mas como tenho moral e altruísmo, prefiro não desejar essa facilidade. Deixarei os outros a continuarem com suas vidas afetivas, merecendo ou não, sendo felizes ou não. Isso é problema deles. O jeito mesmo é eu me conformar com a solidão e transformar a ausência de companhia em minha melhor companhia. A solidão é a única companheira 100% fiel. Ela não traz problemas, não é interesseira e não chateia.
Belo exemplo da bela Drew (que seria uma excelente opção para a minha vida afetiva, mas ela é ianque e é famosa, um contexto que difere do meu - conviver com gente famosa é um inferno: privacidade zero). O jeito é continuar com a minha vida, ter o meu emprego (hoje começo a me dedicar a mais um curso) e cuidar das minhas coisas.
A solidão pode até trazer tristeza. Mas pelo menos ela não estraga vidas.
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*OBS: Vários textos que falam sobre estatísticas vem com aquela alegria macabra de que "está morrendo muito homem" e que cada dia que passa sobra mais mulheres. Só que mais de 90% desses homens são de classes mais pobres, cujas mulheres se encontram numa situação alheia a minha.
Homens pobres não são meus concorrentes. Na vida afectiva, a minha competição é com os homens pertencentes no mínimo a classe média. Ficar animado com a eliminação da concorrência dos homens pobres é o mesmo que um jogador de hóquei de uma equipe se animar com a eliminação da seleção de futebol de outra equipe. Esportes diferentes, competições diferentes.
Desculpem o ponto de vista meio cruel. mas vivemos em um mundo competitivo. Uns perdem para outros ganharem.
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