Antes de tudo quero dizer que sou contra o assédio. A conquista amorosa deve ser pacífica, respeitosa, carinhosa e deve satisfazer a vontade de todos os envolvidos. Caro amigo, se a mulher não te quer, entenda e parte para outra até que apareça uma mulher que te queira. Não insista com quem não te quer para a coisa não converter em ato violento e gerar danos. Dado o recado, vamos ao assunto.
Se por um lado é boa a campanha anti-assédio, por outro tem feito com que homens se retraíssem nas paqueras com medo de punição. Já era difícil conquistar uma mulher graças a um festival de regras rígidas que nunca se afrouxam, agora que a coisa emperrou. O que transformou o Carnaval de 2020 no Carnaval do Bloco do Eu Sozinho.
As feministas, acabaram, ao cometer o justo ato de se protegerem contra o assédio, acabaram fazendo aquilo que arruma um lado para arruinar com outro: criaram um meio de extinguir a paquera e tornar a conquista amorosa ainda mais difícil, sobretudo para quem, como eu, não segue o perfil "Chad", comum aos que sempre se deram bem na vida amorosa.
O resultado desta pataquada é que não teremos mais a paquera como conhecíamos. No Carnaval, cada um vai pular do seu lado até que as mulheres percebem a cagada de não informar aos homens de que modo elas querem ser abordadas de forma respeitosa, sem assédios ou ofensas. Até porque é cacoete das mulheres, sobretudo as feministas, de afirmar o que detestam, sem dizer como gostariam que as coisas fossem.
Os homens, parte fraca do feminismo que finge incluí-los na defesa - infelizmente, o feminismo brasileiro é misândrico, embora insista em dizer o contrário, posando de humanista - não sabem mais como chegar nas mulheres. O que é assédio? Dar um gentil "bom dia" para uma mulher bonita virou cantada barata? Pode ser que sim, pois em tempos de ódio e de polarização, isso faz muito sentido.
Falta de confiança em tempos de crise
Vivemos um tempo onde ninguém mais confia em ninguém. Em tempos de crise tudo fica escasso e todos querem tirar dos outros - mas arrumando justificativas para ninguém se assumir como "ladrão" ou "bandido". Isso estimula uma onda de desconfiança, já que não está escrito na testa a intenção do outro, embora nosso instinto de sobrevivência naturalmente elimine a presunção de inocência alheia garantida pela lei. O outro deve provar que não é mal-intencionado, ao invés do contrário.
Mulheres costumam ficar mais interesseiras em sociedades em crise e chega a ser nítido que no grupo de supostos assediadores, galãs de classe média alta ou ricos nunca são incluídos, o que me leva a suspeitar que campanhas anti-assédio estejam sendo usadas por algumas mulheres como forma de higienismo afetivo para que apenas os homens de "alto padrão" possam chegar até elas.
A imagem do assediador é sempre a do feioso baixo, gordinho que nunca sai aos sábados à noite e toma Toddy no lugar de cerveja, vinho e champanhe. Para piorar aquilo que já é catastrófico, a esquerda identitária, que puxa o saco das feministas (mas nada faz a favor das mulheres), decidiu rotular os homens solitários de "terroristas de extrema-direita" por causa do estereótipo criado em torno dos jovens que saem por aí matando pessoas.
Triste ver toda essa confusão acontecendo, fazendo com que homens com solidão crônica paguem pelos erros alheios. O jeito mesmo é assistir ao desfile do Bloco do Eu Sozinho e aguardar o que as mulheres irão fazer para resolver o problema vindouro de que elas não mais poderão namorar, já que os homens não mais tomarão iniciativa para conquistá-las.

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