Para o sistema, é muito bom que os pobres estejam emburrecidos. Por estarem tradicionalmente ligados a uma má qualidade de vida, com escassez de atributos minimamente necessários a sobrevivência, podem reagir de forma inconformada, e essa inconformação deve ser freada para que não incomode as classes abastadas no seu "direito" de ser melhores que os outros.
Quando os pobres eram mais inteligentes e classudos, o sistema fez de tudo para que as vozes das periferias se calassem. Para dar voz ao povo pobre, foi preciso um complexo trabalho de alienação que impedisse os pobres de raciocinarem, para que com esse emburrecimento, as classes mais humildes deixassem de incomodar - seriamente - o sistema.
Hoje, do contrário que seus defensores bradam, os pobres não incomodam. Agora, emburrecidos, podem - e devem, segundo o sistema - ter as suas vozes ouvidas com nitidez. Para que esse emburrecimento do povo pobre se mantenha, é preciso que esses mesmos pobres não saibam que estão burros. Intelectuais são pagos para criar próteses de sabedoria para que os pobres pensem que sua burrice é a nova forma de inteligência.
O sistema se esforça, através da mídia para, ao mesmo tempo, não intelectualizar os pobres e fazê-los parecer intelectualizados. Se considerando "mais sabidos", mesmo ingenuamente, os pobres acabam não desenvolvendo o intelecto ("se eu já sou inteligente, pra que me esforçar para ser "mais" inteligente?"), deixando de oferecer perigo para as classes incomodadas.
Rebeldia sem causa incomoda apenas na aparência
Claro que é preciso, para reforçar esta falsa rebeldia disfarçada de verdadeira, que se crie um falso conflito de classes, onde o ridículo é confundido com ousadia.
As pessoas realmente esclarecidas que criticam o emburrecimento dos pobres deve ser tratada como uma "elite preconceituosa", para que seus conselhos nunca sejam ouvidos e os pobres se mantenham na mais santa ignorância, tratando a sua burrice como patrimônio próprio. E pior: defendendo e exaltando essa burrice como "estilo próprio de vida que merece ser respeitado".
E BINGO! O sistema criou a mordaça mais perfeita, a que não cala, não machuca e ainda por cima nunca é permitida. Presos na ignorância que acreditam ser a sua sabedoria, os pobres se mantém completamente inócuos ao sistema, mantendo todas as injustiças que estão aí há séculos. É o apartheid social.
Estragos do emburrecimento cultural
Um apartheid que aparentemente separa pobres e ricos, mas na verdade separa burros e "esclarecidos". Não pensem que apenas os pobres estão sendo burros. A classe média que se acha rica sempre foi muito burra, entendendo apenas daquilo que está relacionado com a sua profissões e mais nada. Muitos atores da Globo, de classe média mais do que alta e muitos vivendo no exterior, já absorveram os valores duvidosos das classes menos escolarizadas em suas vidas. Quem não faz isso, é tachado de "elitista", embora o bom senso prove que elitista mesmo é quem quem ver o povo pobre mergulhado nessa burrice imbecilizante, que é disfarçada de sabedoria.
E isso tem causado graves estragos na sociedade. Perdemos a noção de tudo. Apesar do avanço tecnológico ainda mantemos intactas certas tradições quando estas não estimulam a intelectualidade ou valores mais elevados. Já atitudes que estimulam a alienação como religião, esporte e atividades puramente lúdicas (incluindo esporte, cinema e música), as tradições são mantidas e até estimuladas, mesmo que não sirvam para coisa nenhuma.
Mas não é só isso. Nota-se uma piora cada vez maior no comportamento das pessoas. Pensar virou defeito. Legal hoje é curtir, de forma mais alienada possível (desde que não use o rótulo de "alienado"). Aliás, pegamos o hábito de dar rótulos positivos a hábitos negativos. Burros, queremos ser chamados de inteligentes.
Até porque é legal ser rotulado de inteligente, do contrário do que sê-lo, que exige esforço e abnegação. Abnegação inclusive de valores considerados "positivos". Ninguém gosta de livrar de suas zonas de conforto.
Para onde nós vamos com isso?
Não sei até onde isso vai. Há um patrulhamento intenso para que este emburrecimento do povo pobre (e das outras classes também - o emburrecimento atual está bem contagioso) seja respeitado como "sabedoria". Muito esforço te sido feito para que este comportamento do povo pobre seja legitimado como "cultura". Estragos culturais relacionados a esse emburrecimento estão sendo propositadamente ignorados, para que tudo pareça positivo.
E assim nos encontramos no século XXI, época que eu, desde criança, sempre acreditava como a era do progresso intelectual e que sou obrigado a aceitar a burrice generalizada, que jã não é mais exclusividade do povo pobre, como a nova forma de sabedoria a ser aceita na marra por quem passou anos estudando e analisando tudo ao redor.
Os imbecis estão no poder. E querem que a voz de suas palavras sem nexo seja ouvida.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.