Esquerdistas brasileiros são progressistas nas situações que envolvem política, economia e direitos humanos. Mas são conservadores em assuntos que envolvem a cultura e nas relações sociais, embora não assumam.
Mesmo admitindo que gays e pansexuais tenham direitos, o desejo da esquerda brasileira é que tudo aconteça de acordo com as regras impostas pela direita: casamento, família, filhos e o rigoroso cumprimento de vários rituais sociais. Papai, mamãe, titia, cachorro, gato, galinha e muita bebedeira e viagens para fora do Brasil.
Por isso que as esquerdas brasileiras ou ainda não descobriram ou não querem descobrir o amor livre, contrariando o instinto humano, que não é monogâmico. Ignoram que namoro e casamento no mínimo é uma espécie de privatização de seres humanos, quando uma mulher ou um homem passam a ser propriedade privada de seus cônjuges. E não há nada mais capitalista que uma propriedade privada, que um ser humano ser patrimônio de outro.
Mas a natureza não dá saltos e ainda vamos aguardar a democratização da vida amorosa que promete não chegar tão cedo. Temos que aceitar que os mais rápidos chegam primeiro e os que sobram tem que se virar. A meritocracia pode parecer injusta na economia, mas para a esquerda brasileira soa bem romântica em assuntos amorosos.
Por isso que ao comemorarem o namoro iniciado pelos políticos petistas Gleisi Hoffman e Lindbergh Farias, fãs do Partido dos Trabalhadores, além de exaltar os estereótipos do amor, resolveram fazer propaganda de um aplicativo de namoro - mais um - criado por duas esquerdistas casadas (??!!) para tentar evitar que esquerdistas encontrem bolsonaristas ao tentarem procurar sua "metade da laranja".
PTinder, mais um entre tantos aplicativos/grupos de paquera
É o tal de PTinder, uma solução preguiçosa feita por quem não quer mudar os costumes sociais e não entende a dificuldade de pessoas solitárias - quase todos os esquerdistas famosos vão muito bem na vida amorosa, obrigado - optando por fazer algo que se comprovou fracassado que são os grupos e aplicativos de paquera.
Todos sabem que somente perdedores arrumam namorados desta forma e as opções de "metade da laranja" oferecidas neles são as menos qualificadas o possível. As chances de arrumam problemas causados por cônjuges são gigantescas. A não ser que você seja masoquista e ache que se meter em encrencas seja uma tremenda diversão.
Minha experiência com aplicativos e comunidades de paquera não tem sido feliz. E olhando bem ao redor, não há notícias de pessoas relativamente bem sucedidas que tenham arrumado seus cônjuges desta forma. Quem sabe o que quer arruma namoro de forma presencial, de preferência obedecendo as rígidas regras da sociedade capitalista, que estipulam bares e boates como melhores locais de paquera. Como se fossem versões live-action dos aplicativos de paquera, tão duvidosos quanto.
Gleisi e Lindbergh se conheceram há muitos anos por serem do mesmo partido - o mesmo caso de Glauber Braga e Samia Bonfim, só que estes do partido de esquerda não-trabalhista, PSOL, mas comemorado da mesma forma, como se eles fossem petistas como os outros dois - o que comprova a tendência da maioria dos casais serem formados por colegas de profissão o de estudo.
Usar tais relacionamentos para promover um aplicativo/grupo de paquera soou uma medida bem infantil, típica de romantismo de conto-de-fadas, quando as relações conjugais são divinizadas e colocadas para bem distante do mundo real.
Ah, antes que me linchem: desejo sinceramente a felicidade ao casal. Embora cada vez mais esteja inclinado ao amor livre, mais democrático, mais humano, menos burocrático e com menos capacidade de causar mágoas. As esquerdas deveriam ser progressistas em tudo, inclusive nos costumes sociais, onde dão um verdadeiro show de neo-conservadorismo.

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