Hoje se comemora os 60 anos de um nome, que junto a Cazuza e Chico Science, era dos últimos intelectuais da música brasileira (infelizmente todos falecidos), Renato Manfredini Júnior, o Renato Russo.De trajetória ímpar, Russo foi um importante nome da cena punk brasiliense, embora ele tivesse nascido no bairro da ilha do Governador, no Rio de Janeiro. Curiosamente Brasília, a cidade que o acolheu também completa neste ano, 60 anos, quase um mês depois dos 60 de Renato.
As letras de Renato Russo eram diretas, com franqueza quase agressiva. Russo não enrolava, dizia o que deveria ser dito. A boa amostra do trabalho dele está em toda a discografia da Legião Urbana, para mim a melhor banda surgida no Brasil. A carreira solo de Russo privilegiou mais músicas alheias, dando férias a função de compositor. Mas a bela voz e as fartas informações musicais, o faziam recriar as canções.
Russo faz muita falta nos dias de hoje, quando a música aparece infectada pela mediocridade do mercenarismo musical de empresários gananciosos e da mediocridade artística de que quer, mesmo sem assumir, usar a música apenas para ganhar dinheiro fácil.
Renato Russo, parabéns!!! Não sabe como continuamos precisando de compositores como você. Saudades!!!!
"Índios"
(Renato Russo)
Quem me dera ao menos uma vez
Ter de volta todo o ouro que entreguei a quem
Conseguiu me convencer que era prova de amizade
Se alguém levasse embora até o que eu não tinha
Quem me dera ao menos uma vez
Esquecer que acreditei que era por brincadeira
Que se cortava sempre um pano de chão
De linho nobre e pura seda
Quem me dera ao menos uma vez
Explicar o que ninguém consegue entender
Que o que aconteceu ainda está por vir
E o futuro não é mais como era antigamente
Quem me dera ao menos uma vez
Provar que quem tem mais do que precisa ter
Quase sempre se convence que não tem o bastante
Fala demais por não ter nada a dizer
Quem me dera ao menos uma vez
Que o mais simples fosse visto como o mais importante
Mas nos deram espelhos
E vimos um mundo doente
Quem me dera ao menos uma vez
Entender como um só Deus ao mesmo tempo é três
E esse mesmo Deus foi morto por vocês
Sua maldade, então, deixaram Deus tão triste
Eu quis o perigo e até sangrei sozinho, entenda
Assim pude trazer você de volta pra mim
Quando descobri que é sempre só você
Que me entende do início ao fim
E é só você que tem a
Cura pro meu vício de insistir
Nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi
Quem me dera ao menos uma vez
Acreditar por um instante em tudo que existe
E acreditar que o mundo é perfeito
E que todas as pessoas são felizes
Quem me dera ao menos uma vez
Fazer com que o mundo saiba que seu nome
Está em tudo e mesmo assim
Ninguém lhe diz ao menos obrigado
Quem me dera ao menos uma vez
Como a mais bela tribo
Dos mais belos índios
Não ser atacado por ser inocente
Eu quis o perigo e até sangrei sozinho, entenda
Assim pude trazer você de volta pra mim
Quando descobri que é sempre só você
Que me entende do início ao fim
E é só você que tem a
Cura pro meu vício de insistir
Nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi
Nos deram espelhos e vimos um mundo doente
Tentei chorar e não consegui
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