Não sei se alguém já reparou, mas sabiam que a maioria dos intelectuais que defendem o popularesco e toda essa baderna cultural que se tenta empurrar para as massas, tem formação antropológica?
Muitos desses intelectuais tem diploma de antropólogo, mas nem todos. Vários deles são sociólogos ou historiadores, mas conhecem muito bem (pelo menos de acordo com o que é ensinado nas faculdades de um sistema de ensino interessado mais em formar profissionais do que seres humanos) antropologia, por ter sido uma disciplina obrigatória em seu cursos. E porque essa estranha coincidência?
Simples: percebe-se facilmente que os intelectuais que defendem essa decadência cultural na verdade estão aplicando de forma errada e mal interpretada as ideias de Claude Levi Strauss, um dos mais importantes antropólogos da humanidade, quiçá o maior. A foto desta postagem ilustra a má interpretação feita por estes intelectuais brasileiros, muitos com alto - e imerecido - prestígio.
Não sou antropólogo, sou leigo no assunto, mas pelo pouco que sei, dá para perceber uma analogia equivocada e até cruel entre as favelas e o povo indígena, um dos objetos de estudo da antropologia tradicional.
Para esses antropólogos, historiadores e sociólogos oportunistas, os pobres são os novos indígenas e o que eles produzem "culturalmente" (bom lembrar que esses defensores ignoram a influência quase totalitária do entretenimento de mercado na produção "cultural" das favelas e periferias) deve ser analisado e respeitado.
Para estes intelectuais (que são pagos por instituições estrangeiras para pensar assim), enquanto os pobres são os novos índios, as favelas são as novas aldeias, os barracos são as novas ocas. Para escrachar, faltou dizer que os traficantes são os novos caciques.
Essa analogia toda é presente nos discursos de defesa não somente do "funk" mas de qualquer um dos ritmos popularescos, mesmo que não sejam mais produzidos nas favelas como a axé music e o breganejo, por exemplos, que mesmo tendo conquistado as elites, possui a tosqueira típica do que é produzido nas periferias que deslumbram tanto estes intelectuais.
Mas tudo isso não passa de uma má interpretação do que é a Antropologia, além de fazerem vista grossa para o fato de que não existe mais uma cultura que seja totalmente espontânea e imune da contaminação pelas mídias mercenárias. As tendências do popularesco, hoje hegemônicas, são, sem exceção, resultado da ganancia financeira de gravadoras, produtoras (sejam grandes ou pequenas) e meios de comunicação, além de "artistas" que não passam de meros cidadãos humildes que preferiram ganhar dinheiro de modo mais fácil e lucrativo, sem pegar na enxada.
Além do que, ser pobre não é nada bom, sendo uma situação que deveria ser provisória, com a saída desta condição impulsionada não somente pela melhoria financeira, mas pela melhora intelectual garantida por uma educação de qualidade e insubmissão a autoridades, à mídia e aos equivocados conceitos sociais. A ideia de "pobre feliz" é um absurdo que só tem gerado ainda mais absurdos, defendidos por essa intelectualidade burra, mercenária, chata e metida.
Não dá mais para falar sobre cultura atualmente, a não ser que fujamos de qualquer tendência de grande popularidade. Não dá para esperar uma cultura legítima de um povo submisso a mídia e louco para ganhar dinheiro, não o dinheiro suado conquistado para sobrevivência, mas o ganho para se sentir "melhor" que os outros, verdadeira meta dessa sociedade falida em que vivemos.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.