Apesar de ser muito melhor que qualquer direitista, os esquerdistas brasileiros são conservadores ao seu modo e não estão nem um pouco interessados em mudar o mundo. Toda e qualquer personalidade ou instituição de esquerda, do radical PCO ao conservadoríssimo PSOL, passando pelo PT e por influenciadores de esquerda, além de vários políticos.
Toda a meta das esquerdas brasileiras se resume à inclusão das classes oprimidas no sistema capitalista, com todas as suas regras de convívio (incluindo a santíssima trindade Cerveja-Futebol-Religião), todos os costumes sociais e o cumprimento rígido de um roteiro de vida e de cotidiano imposto para todos os adultos, com raríssimas variações.
Duas coisas impedem os esquerdistas brasileiros de desejarem um mundo muito diferente do estabelecido pelo sistema capitalista, com regras criadas pela direita tradicional: o convívio social, pois amigos e contatos sempre cobram o cumprimento de várias regras sociais, e o apego a valores tradicionais considerados positivos, como o amor cívico pelo futebol e a fé religiosa.
Na verdade, a única diferença entre os esquerdistas de classe média (pequena-burguesia) é a vontade de justiça social. É o desejo de ver mais classes sociais usufruindo do feliz mundo das ilusões capitalistas, com todo o conforto obtido em troca de muito trabalho e submissão às regras sociais impostas silenciosamente pela maioria e consagradas pela mídia, mesmo a alternativa, que pretende trocar um pensamento único por outro, ao invés de lutar por uma diversidade ideológica.
Isso explica porque vários esquerdistas estão aprendendo a se apegar a estereótipos, exatamente como a classe média direitista, já habituada a preconceitos e estigmatizações. Sem lembrar que a pequeno-burguesia de esquerda pouco ou nada faz para melhorar o salário e a distribuição de renda, já que não passam de um bando de bons-vivant metidos a sofredores.
As esquerdas já se apressaram em estigmar os homens solitários e querer que pobres ouçam músicas de má qualidade, enquanto a própria classe média esquerdista finja que goste de lixo musical, enquanto empurra isso para as classes trabalhadoras que alegam defender.
Fica a impressão de que as pessoas que desejam mudanças reais no Brasil estão sendo enganadas. As esquerdas brasileiras querem mesmo melhorar o país ou na verdade usam isso para angariar simpatia, obtendo rios de dinheiro em lives pela internet e favorecimentos ocultos de instituições ligadas a filantropos de direita como George Soros e Bill Gates?
Cá para nós. Eu não estou otimista. Nada vai mudar após esta quarentena. Sendo otimista, digo que tudo ficará na mesma, com mesmos costumes e mesmas ideias, gostos e convicções. Este isolamento nada trará de lição e as esquerdas médias continuarão com seu blá-blá-blá inspiracional nada posto em prática. Até porque eles estão bem, seguindo as lições que o Tio Sam lhes ensinou.

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