Vocês devem ter ouvido falar em "politicamente correto". É quando alguém toma uma atitude aparentemente correta, sem realmente gerar alguma melhoria ou avanço social ou individual.O "politicamente correto" quer ser visto como bondoso sem ser e lança a mão de paliativos para tentar resolver problemas sérios da humanidade. No Brasil, o "politicamente correto" assume características próprias. E uma delas é uma nova ideologia que podemos chamar de "orgulho de ser pobre".
Simples: ao invés de tirar as pessoas da pobreza e dar melhores condições de vida, o que num sistema capitalista como o nosso pode ser nocivo aos interesses egoísticos das classes abastadas, cria-se um arremedo de "dignidade", colocando o consumismo no lugar da qualidade de vida, glamorizando a vida do povo pobre, muitas vezes transformando defeitos em qualidades e colocando na cabeça da população humilde que ela tem que viver assim e se orgulhar disso.
Essa "valorização" da pobreza inclui a valorização dos ritmos popularescos (axé, pagode "funk", "sertanejo", forró-brega, lambada, brega, e similares), inclusive transformando os mesmos em "patrimônio cultural", como os astros desses gêneros de qualidade duvidosa tivessem algo importante a dizer.
Fazer filmes com temática pobre é outro meio de glamorizar a pobreza. No Brasil, cineastas riquíssimos, com o apoio de gente mais rica ainda, que não sabe o que é passar fome, só faz filmes sobre pobres. Algo pejorativamente conhecido como "Cosmética da fome". Porque não fazem filme sobre rico? Ah, vão dizer que "rico não tem vida interessante". Porque então não deixam de ser ricos, distribuem dinheiro para quem realmente precisa e vão morar em um barraco em área de risco? A vida de vocês, magnatas frustrados que insistem em ser magnatas, poderá se tornar "mais interessante"!
Viver pobre não é digno coisa nenhuma. Pobre sofre todos os dias e não possui renda o suficiente para viver com a verdadeira dignidade. Quem defende a ideia de que ser pobre está "em alta" é gente da elite que quer manter as desigualdades e injustiças intactas, utilizando disso como meio de manter os pobres "quietinhos em seu canto", deixando os ricos gastarem suas riquezas sossegados, enquanto a população humilde passa a fome "alegremente" diante das câmeras, feito micos de realejo.
Digno é ter uma vida com renda que abasteça o mínimo necessário que uma vida de qualidade exige e ter educação que desenvolva o nível intelectual, para que o cidadão possa saber de seus direitos e deveres, conhecer a sua realidade cotidiana (não como a mídia diz) e possa reivindicar melhorias concretas de vida.
Mas essa ideologia do "orgulho de ser pobre" chegou para manter os pobres em total inércia, se conformando com a fictícia "missão" de "mandar" na "cultura" brasileira, enquanto suas dispensas continuam sempre vazias e as contas sempre subindo.
É muito cruel glamorizar a pobreza. Quem faz isso parece "bondoso", mas é tão malvado quanto qualquer fascista. Substitua "judeus" por "favelados" e "campos de concentração" por "favelas" e entenderão o que estou dizendo.
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