Ontem, oito de abril, completaram 23 anos do falecimento de Laura Nyro, minha cantora favorita e uma das melhores compositoras de toda a história da música, infelizmente subestimada por uma mídia que prefer músicas que fazem dançar do que as que fazem sentir ou pensar.
Realmente o tipo de música feita por Laura não é de fácil aceitação. Não que ela faça um som difícil, mas a maioria das pessoas, com menor sensibilidade e com o intelecto ocupado pela luta pela sobrevivência, prefere ouvir coisas mais catárticas como músicas que aticem o instinto, sejam canções piegas, músicas sobre sexo ou aquele som raivoso que faz você pogar.
Eu descobri a cantora após ler o livro 1001 discos para ouvir antes de morrer, um catálogo com discos recomendados por críticos do mundo inteiro. Lá, o álbum Eli and the 13th Confessions, gravado pela cantora em 1968, foi definido como algo parecido com Tori Amos, minha outra cantora predileta. Tori Amos? Hummm... Vou dar uma verificada.
Fui verificar e foi um dos maiores impactos que eu tive na minha vida. Nunca tinha ouvido canções tão fortes, seja em arranjos, harmonia, melodia e em letras. Foi como levar um soco. O álbum se tornou um dos que mais adorei em toda a minha vida. Obra prima é pouco. Após ouvi-lo, corri atrás de outros trabalhos dela e ela se tornou a minha cantora favorita.
Só que eu sou a única pessoa que eu conheço a gostar do álbum e de sua responsável. No Brasil ela é praticamente desconhecida. Como se não existisse. A comunidade que havia em português (nem sei se ainda existe) dedicada no Facebook a ela tem poucos membros e a maioria era de Portugal.
Mesmo nos EUA, a popularidade dela é pequena. Me surpreende ver que atrizes como Anna Kendrick sejam fãs da cantora. Nyro é conhecida mais por gravações de outros intérpretes e pela influência exercida sobre compositores mais conhecidos como Elton John e Todd Rundgren.
Infelizmente, além da impopularidade, Laura faleceu cedo, em 1997, de um câncer no ovário, antes de completar 50 anos. A popularidade dela, que já não era grande, ficou difícil de se renovar. mesmo assim, seus poucos fãs se esforçam em manter o legado de músicas incrivelmente belas, criadas por uma compositora sensível e cantora espetacular, com alcance vocal e estilos únicos.
Infelizmente o mundo não está preparado para alguém como Laura Nyro. Eles querem as gostosonas sacolejantes com pouquíssimas roupas e muitíssimos dançarinos e suas canções sem pé nem cabeça. Talvez em futuro remoto, Laura Nyro possa ser entendida.

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